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15 dias

Acordo à vista entre Washington e Huawei para retorno à China de diretora financeira

24/09/2021 15h45

Nova York, 24 Set 2021 (AFP) - Um tribunal de Brooklyn, Nova York, analisará nesta sexta-feira (24) o acordo alcançado entre as autoridades americanas e o diretor financeiro da gigante das telecomunicações Huawei, que encerraria três anos de batalha jurídica e tensões entre Pequim, Washington e Ottawa.

Este acordo permitiria que Meng Wanzhou retornasse à China após três anos de residência forçada no Canadá, anunciou o Wall Street Journal nesta sexta-feira (24), citando fontes próximas ao caso.

O acordo entre o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a Huawei deve ser anunciado durante uma audiência virtual às 13h00 (14h00, no horário de Brasília) no tribunal federal de Brooklyn, na qual Meng Wanzhou comparecerá por videoconferência, de acordo com o WSJ.

Os serviços do tribunal federal do Brooklyn emitiram uma curta carta do Departamento de Justiça confirmando a audiência visando um "acordo das acusações" no caso "Estados Unidos vs. Meng Wanzhou", sem oferecer mais detalhes.

Questionados pela AFP, os advogados da executiva chinesa se recusaram a fazer avaliações, assim como o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Meng Wanzhou, de 49 anos, filha do fundador do gigante das telecomunicações, foi presa em 1º de dezembro de 2018 no aeroporto de Vancouver a pedido de Washington, que pretendia julgá-la por fraude bancária.

A justiça americana a acusa de ter mentido para um gerente de banco do HSBC durante reunião em Hong Kong em 2013 sobre as ligações entre o grupo chinês e uma subsidiária conhecida como Skycom, que vendia equipamentos ao Irã, sujeito a sanções americanas.

De acordo com o Wall Street Journal, a diretora financeira da Huawei teria concordado em reconhecer algumas "falhas" em troca de "adiar" com o objetivo de "retirar" as acusações de fraude bancária. Wanzhou sempre negou as acusações.

O governo chinês considera desde 2018 que o governo dos EUA, então sob Donald Trump, buscava enfraquecer a Huawei, empresa chinesa líder e líder mundial em equipamentos e redes 5G, sem equivalente do lado americano.

Nas últimas semanas, os advogados de Meng defenderam novamente a tese de que os Estados Unidos tentaram submeter sua cliente a um processo "abusivo".

O Canadá ficou um tanto aprisionado no meio da tempestade sino-americana, lembra o jornal, que especula que o acordo entre Washington e Pequim também pode levar à libertação de um empresário e um ex-diplomata, ambos canadenses, detidos na China.

Eles são Michael Spavor, condenado a 11 anos de prisão por espionagem, e Michael Kovrig, detido no gigante asiático.

De acordo com o jornal norte-americano, o governo Biden teria retomado as consultas sobre o caso Huawei, em particular à luz do desejo de Meng de se reunir com sua família na China, após três anos de prisão domiciliar no Canadá.

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