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Blinken faz primeira visita à América do Sul e quer estimular a democracia

19/10/2021 10h12

Washington, 19 Out 2021 (AFP) - O secretário de Estado americano, Antony Blinken, iniciou nesta terça-feira (19) uma viagem para Equador e Colômbia, com o objetivo de ampliar e fortalecer laços com as democracias da América Latina, em um momento de aumento da tensão com a Venezuela.

No Equador e Colômbia, ele se reunirá com líderes de direita como parte da estratégia do presidente Joe Biden para promover a democracia, mas também para manter a pressão sobre os governantes de esquerda do continente.

Blinken "ressaltará especificamente a maneira como países como Equador e Colômbia foram capazes de aproveitar seus valores e compromissos democráticos em benefício de suas populações", disse Brian Nichols, alto funcionário da diplomacia dos Estados Unidos para a América Latina.

O secretário de Estado americano desembarcará em Quito nesta terça-feira e se reunirá com o presidente Guillermo Lasso, um empresário que venceu de maneira surpreendente as eleições este ano.

"O progresso imediato que o presidente Lasso conseguiu na entrega de vacinas contra a covid-19 em comparação à administração anterior é um exemplo concreto do que um governo transparente e democrático pode conseguir", disse Nichols.

A Colômbia é um aliado de longa data dos Estados Unidos e Biden mantém em boa medida o apoioi de seu antecessor, Donald Trump, ao presidente Iván Duque, apesar dos apelos dos progressistas do Partido Democrata para que se pronuncie com mais força contra a brutalidade policial.

- Novo tipo de relação -Blinken se reunirá com grupos de defesa dos direitos humanos e também vai abordar dois temas cruciais para a administração Biden: mudança climática e migração.

"É uma viagem importante a favor da democracia para o secretário Blinken, mas também é um realinhamento das relações com as democracias da América Latina, que vai além dos assuntos tradicionais que dominaram o debate durante muitos anos", disse Muni Jensen, ex-diplomata colombiana e atual consultora no Albright Stonebridge Group em Washington.

A Colômbia agradou o governo Biden ao adotar algumas das metas mais ambiciosas da América Latina sobre mudança climática antes da reunião de cúpula sobre o meio ambiente da ONU em novembro, enquanto o Equador é especialmente sensível ao tema por conta das ilhas Galápagos.

Em Bogotá, autoridades afirmaram que Blinken se reunirá com ministros da região para falar sobre as políticas de migração, em um momento de elevado fluxo de haitianos que buscam iniciar a longa viagem aos Estados Unidos a partir da Colômbia.

Kevin Whitaker, embaixador americano na Colômbia entre 2014 e 2019, disse que a mensagem de Blinken sobre a democracia - e sobre problemas nas fronteiras, além da cooperação na área de segurança - pode ter um impacto significativo no momento em que a China abre passagem na América Latina.

"A democracia está de alguma maneira estremecida no continente. Observamos o populismo autoritário crescer", disse Whitaker.

A era Trump e o ataque ao Capitólio de seus simpatizantes em 6 de janeiro "serviram para desacreditar o modelo da democracia americana para algumas elites em relação ao que sempre acreditaram que os Estados Unidos representariam na região", completou.

- Divergências com a Venezuela -A aposta mundial de Biden pela democracia, ao contrário da proximidade de Trump com os autocratas, é sutil na América Latina.

Por sua defesa do meio ambiente, a administração Biden intensificou as conversas com o país de maior população do continente, Brasil, cujo presidente de extrema-direita, Jair Bolsonaro, ameaça não aceitar o resultado da eleição de 2022.

Biden também mantém a pressão sobre líderes de esquerda autocráticos na Venezuela, Cuba e Nicarágua, depois que a linha dura adotada por Trump rendeu dividendos políticos no estado chave da Flórida.

A viagem de Blinken acontece poucos dias depois da extradição de Cabo Verde para Miami de um empresário próximo ao presidente venezuelano Nicolás Maduro, Alex Saab, acusado de roubar milhões de dólares destinados a comida e ajuda em um país que enfrenta a pobreza extrema.

Maduro - considerado um presidente ilegítimo por vários países - respondeu à captura com a suspensão das negociações com a oposição, liderada por Juan Guaidó, considerado presidente interino por Washington.

A Venezuela é um tema que provavelmente será abordado com Duque, grande crítico de Maduro, a quem acusa de promover o tráfico de drogas e abrigar rebeldes colombianos.

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