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Conferência na Líbia busca gerar apoio antes de eleições cruciais

21/10/2021 08h47

Trípoli, 21 Out 2021 (AFP) - O primeiro-ministro líbio destacou nesta quinta-feira (21) a necessidade de que o país tenha uma estabilidade duradoura para reconstruir suas instituições, antes de uma conferência internacional em Trípoli para consolidar a transição, a apenas dois meses de eleições presidenciais históricas.

"Os líbios escolhem hoje a paz e a estabilidade. Trípoli cicatrizou as feridas para voltar a ser uma capital unificada", afirmou no Twitter o chefe de Governo interino, Abdelhamid Dbeibah.

"A estabilidade da Líbia é a única via para a reconstrução de nossas instituições civis, de segurança e militares", completou.

A conferência acontece dois meses antes das eleições, organizadas sob um processo de paz patrocinado pela ONU, que visa encerrar uma década de conflito e caos.

Trípoli anunciou a participação da vice-secretária-geral da ONU para Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, e do enviado para a Líbia, Jan Kubis.

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, disse nesta quarta-feira que participaria, assim como autoridades de potências regionais como Itália, Turquia, Arábia Saudita e Egito, segundo a agência líbia LANA.

Líbia e ONU tentam deixar para trás a violência que castigou o país desde que um levante apoiado pela Otan depôs e matou, em 2011, o ex-ditador Muammar Kadhafi.

Uma trégua entre facções oriental e ocidental permitiu instalar em março um governo de unidade, com a missão de organizar as eleições.

As eleições presidenciais estão previstas para 24 de dezembro, mas as legislativas foram adiadas por disputas entre as facções.

- "Soberania" -A conferência de quinta-feira visa a "reunir o apoio necessário, de forma transparente" para as eleições presidenciais, disse a ministra de Relações Exteriores, Najla al Mangoush, em vídeo publicado no domingo.

A comunidade internacional tem feito pressão para a realização das eleições na data prevista, mas o processo tem enfrentado desacordos sobre as bases legais da votação.

O especialista em Líbia Emadeddin Badi comentou que a base para as eleições "se torna mais precária a cada dia".

No entanto, acrescentou que a conferência busca "capitalizar o momento para que a Líbia se estabilize, porque vários países querem ver a Líbia estável".

Mangoush informou que a conferência busca promover "o respeito à soberania e à independência da Líbia (assim como) evitar a interferência estrangeira negativa".

- Comando único -As potências estrangeiras têm apoiado diferentes partes na complexa guerra líbia e a presença de mercenários e tropas estrangeiras é um dos maiores obstáculos para uma paz duradoura.

A ONU estimou em dezembro a existência de 20.000 combatentes estrangeiros na Líbia.

Eles incluem de russos enviados pelo grupo Wagner, próximo do Kremlin, a mercenários africanos e sírios, bem como soldados turcos enviados por um acordo com um governo de unidade prévio.

O futuro destes combatentes será abordado na agenda da conferência, disse a ministra, acrescentando que a presença destas forças "representa uma ameaça não só para a Líbia, mas para toda a região".

O país também terá que resolver a integração de suas forças armadas sob um comando único, pois as diferentes tropas atualmente enfrentam umas às outras.

Embora o país teoricamente tenha um governo de unidade, sua facção leste é controlada pelo homem forte Khalifa Haftar, que poderia se candidatar à Presidência apesar de ser odiado por muitos no oeste líbio.

Mas o fato de a conferência ter sido organizada por um governo de transição a apenas dois meses das eleições que marcarão o fim de seu mandato chama a atenção.

"Se todos supõem que as eleições presidenciais acontecerão em dezembro 2021, por quê organizar uma reunião sobre a estabilização da Líbia nove semanas antes das eleições? Se o governo atual vai sair em dezembro, que interesse pode existir em elaborar planos com ele em outubro?", questiona Khalel Harchaoui, analista da Global Initiative.

"Está claro que também falarão sobre as eleições, pos existem dúvidas sobre a votação, sua data, a base jurídica", disse Harchaoui, que não descarta a possibilidade de adiamento das eleições.

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