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1 mês

Novos ataques aéreos contra a região etíope de Tigré

24/10/2021 13h52

Adis Abeba, 24 Out 2021 (AFP) - A Força Aérea da Etiópia bombardeou neste domingo (24) alvos na região rebelde de Tigré, norte do país, o que elevou os ataques para oito esta semana.

Após vários meses de tensão, o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, mobilizou o exército federal nesta região em 4 de novembro de 2020 com a intenção de expulsar as autoridades regionais dissidentes da TPLF, que controlou o governo da Etiópia até 2018.

Os novos ataques, afastados da capital regional, Mekele, bombardeada em várias ocasiões desde segunda-feira - pela primeira vez desde o início do conflito -, podem marcar uma ampliação da campanha aérea e uma nova intensificação das hostilidades, o que preocupa a comunidade internacional.

"Hoje (domingo) a frente oeste (de Mai Tsebri) que servia de centro de treinamento e posto de comando do grupo terrorista TPFL foi atacado pela aviação", declarou a porta-voz do governo, Selamawit Kassa, em uma referência à Frente de Libertação do Povo de Tigré (TPLF, na sigla em inglês).

Posteriormente, os mesmos aparelhos destruíram uma instalação na localidade de Adua, norte de Tigré, onde são fabricados "equipamentos militares" , também de acordo com a porta-voz.

Até o momento não foi possível confirmar se os bombardeios provocaram vítimas.

O porta-voz da TPLF, Getachew Reda, afirmou no Twitter que a Força Aérea bombardeou um hospital em Mai Tsebri e uma fábrica têxtil em Adua, uma instalação que já havia saqueada pelo exército federal etíope e sua aliada Eritreia no início do conflito.

Selamawit Kassa confirmou que a fábrica têxtil foi atacada, mas negou a outra acusação e disse que o bombardeio contra Mai Tsebri "teve como único alvo uma base de treinamento e comando" da TPLF.

A TPLF criticou os bombardeios anteriores e acusou o exército federal etíope de "atacar civis que estão a centenas de quilômetros do campo de batalha".

Na segunda-feira, dois ataques, os primeiros contra Mekele, mataram três crianças e deixaram vários feridos, de acordo com a ONU.

Outros três bombardeios atingiram a capital regional e um apontou contra um alvo a 80 km da cidade.

Na sexta-feira, outro ataque contra Mekele deixou 11 feridos e obrigou um voo com ajuda humanitária da ONU a retornar para a capital federal, Adis Abeba, de acordo com médicos e fontes humanitárias.

A ONU decidiu suspender imediatamente os voos semanais de funcionários para Tigré.

A TPLF afirmou em um comunicado divulgado no sábado que o incidente deixa "clara a intenção do governo de continuar bloqueando as operações humanitárias".

As forças federais conseguiram assumir rapidamente o controle da maior parte da região, incluindo Mekele ainda em novembro do ano passado.

Em junho, no entanto, a TPLF conseguiu recuperar a maior parte de Tigré e prosseguiu com a ofensiva nas regiões vizinhas de Amhara e Afar.

A intensificação dos combates aumentou a crise humanitária em Tigré, que segundo a ONU afeta atualmente 400.000 pessoas, que estão à beira da fome.

rcb/np/sst/zm/age/mb/fp