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Guerrilheiros estão por trás de 'desmatamento agressivo' na Amazônia colombiana

Foto ilustrativa mostra vista aérea de desmatamento na Amazônia para expansão da pecuária, em Lábrea (AM) - Victor Moriyama/Amazônia em Chamas
Foto ilustrativa mostra vista aérea de desmatamento na Amazônia para expansão da pecuária, em Lábrea (AM) Imagem: Victor Moriyama/Amazônia em Chamas

Bogotá

25/11/2021 17h14

Guerrilheiros que se marginalizaram do acordo de paz com Bogotá praticam um desmatamento agressivo na Amazônia colombiana para introduzir gado e cultivar coca, matéria-prima da cocaína, denunciou o Ministério Público ao anunciar acusações contra rebeldes foragidos.

'Gentil Duarte', um dos homens mais procurados da Colômbia e seus subordinados, 'Iván Mordisco' e 'John 40', estão por trás da derrubada de milhares de hectares de floresta no sul do país, informou o organismo em um comunicado difundido nesta quinta-feira (25).

"Os elementos de prova coletados dão conta de que, a mando destas pessoas, avança um desmatamento agressivo desde 2016 para concluir uma estrada ilegal", disse o procurador-geral, Francisco Barbosa.

Miguel Botache Santillan - aliás 'Gentil Duarte' -, por quem há uma recompensa de pouco mais de um milhão de dólares por informações que levem à sua localização, e outros dois líderes rebeldes são acusados de "invasão de área de especial importância ecológica", "danos aos recursos naturais", "financiamento de plantações" (de coca) e "associação criminosa", acrescentou.

Com o acordo de paz assinado há cinco anos, a maioria da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) abandonou vastos territórios que vêm sendo ocupados por outras forças ilegais, diante da lenta ou nula chegada do Estado, coincidem organizações camponesas e ONGs locais e internacionais.

O chamado Bloco Sul-oriental, comandado por Botache Santillana, opera nos departamentos de Meta (centro-sul) e Guaviare (sul), um dos principais pontos de desmatamento e onde a estrada estaria sendo construída.

As forças militares colombianas seguem os passos de Duarte em uma intensa caçada na qual foram bombardeados vários de seus acampamentos.

- A sombra do latifúndio -Segundo dados do estatal Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (IDEAM), depois do acordo que desarmou as Farc, a destruição das florestas disparou na Colômbia, passando de 123.841 hectares em 2015 para 219.552 em 2017 (um aumento de 76%).

Barbosa acrescentou que constatou-se, ainda, "o desmatamento indiscriminado para promover a pecuária extensiva, cultivos de coca e processamento de entorpecentes", o que tem "posto em risco os solos, as fontes hídricas e a vida silvestre".

Segundo depoimentos coletados pela AFP em Guaviare, grandes latifundiários também estão pagando camponeses que, antes do acordo, semeavam coca para derrubar árvores e se apoderar de grandes extensões de terra.

Estão sendo geradas "atividades econômicas bem importantes para alguns investidores, que viram na afetação dos recursos naturais a forma de melhorar seu capital", explicou Albeiro Pachón, encarregado ambiental do governo deste departamento.

"O tema do desmatamento está sendo catalogado como uma máfia", acrescentou.

A justiça colombiana pune com até 15 anos de prisão quem for surpreendido desmatando ou financiamento esta atividade.

Com a nova "lei de crimes ambientais", o presidente, o direitista Iván Duque, pretende conter a destruição da floresta, que já custou mais de 925.000 hectares de mata desde 2016, uma extensão similar ao tamanho do Chipre.

Sem um comando unificado, as dissidências alimentam uma nova onda de violência que castiga vastos territórios. O centro de estudos colombiano Indepaz estima suas forças em 5.200 combatentes, a maioria (85%) novos recrutas.

O grupo dissidente de Santillana, um dos primeiros desertores do acordo de paz, é o maior do país, com 2.700 membros.

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