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1 mês

EUA retira Farc da lista de organizações terroristas

30/11/2021 20h40

Washington, 30 Nov 2021 (AFP) - O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (30) a retirada das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) de sua lista de organizações terroristas.

"O Departamento de Estado revoga a designação das Farc como organização terrorista estrangeira", afirmou o secretário de Estado, Antony Blinken, em um comunicado.

"Após um acordo de paz de 2016 com o governo colombiano, as Farc foram dissolvidas e desarmadas oficialmente. Não existem como organização unificada dedicada ao terrorismo ou a atividades terroristas, ou com a capacidade ou intenção de fazê-lo", acrescentou.

O gesto foi aplaudido da Colômbia pelo ex-comandante guerrilheiro, Rodrigo Londoño, mais conhecido como Timochenko.

"Saúdo a decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de remover as Farc-EP da lista de organizações terroristas. É um reconhecimento do nosso compromisso com a paz e nosso cumprimento rigoroso com o que foi acordado no Acordo de Paz", escreveu ele no Twitter.

O governo do presidente Joe Biden havia declarado sua intenção de retirar as Farc de sua lista de organizações terroristas em 23 de novembro, às vésperas do quinto aniversário do pacto de paz entre o governo colombiano e a ex-guerrilha, que levou ao seu desarmamento e dissolução, após décadas de luta.

Os Estados Unidos designaram oficialmente as Farc como organização terrorista estrangeira em 1997, em meio ao confronto de seis décadas com o Estado colombiano.

Em 24 de novembro de 2016, após negociações em Cuba, o grupo guerrilheiro depôs as armas e assinou um acordo de paz com o então presidente colombiano Juan Manuel Santos.

No entanto, o rótulo de organização terrorista continuou a afetar o ex-grupo rebelde marxista, agora transformado em um partido político.

A retirada das Farc da lista não modifica, porém, a posição dos Estados Unidos sobre os processos judiciais iniciados ou previstos contra ex-líderes do grupo, sobretudo os suspeitos de narcotráfico, explicou Blinken.

Nem modifica as decisões da Jurisdição Especial para a Paz (JEP) da Colômbia, o tribunal que julga os piores crimes de um conflito que deixou nove milhões de vítimas entre mortos, mutilados, sequestrados e desaparecidos.

Mas a decisão ajudará Washington a apoiar a aplicação do acordo, por exemplo, trabalhando com ex-combatentes que entregaram as armas.

Cerca de 13.000 guerrilheiros entregaram suas armas desde a assinatura do acordo de paz.

A Colômbia celebrou na quarta-feira da semana passada os cinco anos do acordo histórico de 2016, que permitiu o restabelecimento da paz e o desarmamento da guerrilha das Farc, após um dos conflitos mais violentos e longos da América Latina.

Com o acordo, as Farc, movimento que pegou em armas na década de 1960, em plena Guerra Fria, viraram o partido político Comuns, com representação garantida no Parlamento, mas sem grande influência nas urnas.

O texto prevê reformas políticas e agrárias que devem ser aplicadas até 2031.

Apesar de o acordo ter reduzido consideravelmente a violência, diversos grupos armados atuam no país, incluindo alguns dissidentes das próprias Farc.

Mas embora o acordo tenha reduzido consideravelmente a violência, diversos grupos armados atuam no país, como paramilitares, narcotraficantes e outros insurgentes, inclusive alguns dissidentes das próprias Farc.

Ex-comandantes que se afastaram do acordo de paz entre a dirigência das Farc e o governo de Santos comandam as dissidências, cuja força é estimada em 5.200 combatentes, a maioria (85%) novos recrutas, segundo o colombiano Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz).

- Segunda Marquetalia e FARC-EP na lista de terroristas -Em sua fala, Blinken anunciou que a Segunda Marquetalia e as FARC-EP, dois grupos formados por ex-líderes das Farc que se negaram a se desmobilizar, foram adicionadas à lista de organizações terroristas.

"Também estamos nomeando os respectivos líderes destas organizações", afirmou.

Um deles é Luciano Marín Arango, aliás Iván Márquez, ex-número dois das Farc e ex-negociador de paz em Havana, que fundou a Segunda Marquetalia em agosto de 2019.

Também constam Hernán Darío Velásquez, conhecido como 'El Paisa', e Henry Castellanos, aliás Romaña, a quem o governo americano atribui responsabilidades de operações militares na Segunda Marquetalia.

Também foram incluídos na lista de terroristas de Washington dirigentes das Farc-EP: seu líder, Néstor Gregorio Vera Fernández, aliás Iván Mordisco; o segundo na linha de comando, Miguel Santanilla Botache, aliás Gentil Duarte; e o comandante Euclides España Caicedo, aliás Jhonier.

A designação significa que todas as propriedades de pessoas e entidades envolvidas serão bloqueadas e reportadas ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Tesouro dos Estados Unidos.

As pessoas que fazem transações com as pessoas que constam na lista poderiam estar sujeitas à designação de terroristas e as instituições financeiras estrangeiras que o fizerem poderiam ser sancionadas.

A forma como foi gerenciada a retirada das Farc causou uma confusão no Senado americano nesta terça-feira.

O presidente do Comitê de Relações Exteriores, o democrata Bob Menéndez, queixou-se de ter sabido da decisão pela imprensa.

"De onde surgiu a ideia?", perguntou a Brian A. Nichols, vice-secretário de Estado para as Américas do Departamento de Estado.

Nichols respondeu que vinha sendo debatido desde a administração anterior e "sempre se contemplou como parte do acordo de paz", mas disse que desconhecia quem foi o impulsionador.

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