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1 mês

Movimento de Moqtada Sadr se torna primeira força no Parlamento iraquiano

30/11/2021 19h57

Bagdá, 30 Nov 2021 (AFP) - O movimento do líder xiita Moqtada Sadr venceu as eleições legislativas de 10 de outubro no Iraque, se tornando o primeiro bloco parlamentar com 73 assentos, de acordo com os resultados definitivos publicados nesta terça-feira (30).

Quase dois meses após as eleições, a Comissão Eleitoral do Iraque confirmou a vitória da corrente sadrista frente à Aliança da Conquista, a vitrine política dos ex-paramilitares pró-Irã da Hashd al-Shaabi, que acusa fraudes no processo.

Em um comunicado, várias forças pró-Irã, entre elas a Aliança da Conquista, rejeitaram os resultados e acusaram a comissão de manipulação, garantindo que darão continuidade à ação judicial para "anular as eleições".

Os resultados definitivos eram esperados há semanas em um contexto de tensões que culminaram numa tentativa de assassinato do primeiro-ministro Mustafa al-Kazimi, que escapou ileso de um ataque com drone que não foi reivindicado.

Durante uma entrevista coletiva em Bagdá, os membros da Comissão Eleitoral leram os nomes dos 329 deputados do novo Parlamento e o número de votos de cada um. A taxa de participação foi de 44%.

Segundo os resultados enviados à imprensa pela comissão, o partido do influente líder xiita Moqtada Sadr obteve 73 assentos no Parlamento, enquanto a Aliança da Conquista perdeu 31, ficando com 17 assentos.

- "Nem manipulação, nem fraude" -Simpatizantes da Hashd al-Shaabi organizaram um protesto em uma das entradas da Zona Verde de Bagdá para denunciar os resultados das eleições legislativas, e tentaram invadir o setor, onde se encontram os prédios do governo e as embaixadas, em meio a fortes medidas de segurança.

"A comunidade internacional apoiou as eleições iraquianas, já que nenhuma manipulação ou fraude foi registada", afirmou a Comissão Eleitoral em um comunicado divulgado à noite.

Apesar da derrota simbólica, Al-Shaabi continua sendo um ator importante na cena política, graças ao apoio que tem do Irã e de seus 160 mil ex-paramilitares que se juntaram às forças regulares.

Al-Shaabi ingressou no Parlamento pela primeira vez em 2018, graças às vitórias na luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

E agora podem beneficiar do jogo de alianças: um dos seus parceiros, o ex-primeiro-ministro Nuri al-Maliki, conseguiu um grande resultado com sua "Coalizão do Estado de Direito", levando com 33 deputados.

- "Risco de escalada" -O resultado final deverá ser encaminhado à Justiça Federal para homologação. Depois disso, o Parlamento poderá realizar sua sessão inaugural, na qual os deputados elegerão o novo presidente iraquiano.

Paralelamente, será negociada a formação do novo governo.

Em um país multiétnico, formar um governo se dá após negociações intermináveis. Os grandes partidos da comunidade xiita tendem a pactuar para formar uma maioria no Parlamento.

As formações pró-iranianas desejam manter este compromisso tradicional, mas Moqtada Sadr se opõe e repete sem descanso que o futuro primeiro-ministro deve ser nomeado por seu movimento, enquanto exige um governo "majoritário" com as formações políticas que tenham os melhores resultados.

Isso pode levar a uma aliança sem precedentes, com formações como Taqadom, o sunita Mohamed al-Halbusi (37 deputados) e o Partido Democrático do Curdistão (31), segundo analistas.

"É ver quem cede à pressão do outro", explica o analista Hamdi Malik, do Instituto Washington, referindo-se à corrente sadrista e à Hashd al-Shaabi.

"Até agora, nenhum dos lados cedeu. É por isso que o risco de escalada e confronto é muito alto neste momento".

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