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1 mês

Chefes da diplomacia dos EUA e da Rússia se encontram em momento de tensão pela Ucrânia

02/12/2021 14h41

Estocolmo, 2 dez 2021 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e seu colega russo Vladimir Putin poderiam manter um diálogo direto para evitar um "cenário de pesadelo de confronto militar" na Ucrânia, segundo os chefes da diplomacia dos dois países reunidos nesta quinta-feira (2) em Estocolmo.

Em meio a tensões relativas à Ucrânia, o ministro russo Serguei Lavrov exigiu dos Estados Unidos "garantias de segurança a longo prazo" em suas fronteiras, principalmente para que o antigo território soviético não entre na Otan.

Lavrov e o americano Antony Blinken se reuniram nesta quinta-feira na Suécia, à margem da reunião ministerial da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa, planejada há muito tempo e que contou também com a participação da Ucrânia.

Espera-se agora que o diálogo tenso entre as duas potências chegue a um patamar mais alto, provavelmente por meio de uma conversa telefônica.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Seguei Riabkov, disse que Moscou espera um "contato" entre Joe biden e Vladimir Putin nos "próximos dias". O secretário de Estado americano, Antony Blinken, confirmou que os dois líderes falarão "provavelmente em um futuro próximo".

Os chefes da diplomacia dos Estados Unidos e da Rússia mantiveram uma reunião cheia de advertências e ameaças sobre a Ucrânia, mas também expressaram a intenção de solucionar a crise pela via diplomática.

"Estamos profundamente preocupados com os planos da Rússia de iniciar uma nova agressão contra a Ucrânia", disse Blinken ao chefe da diplomacia russa Serguei Lavrov.

Blinken retomou o tom adotado na quarta-feira quando, em uma reunião da Otan em Riga, expressou preocupação sobre "evidências" de que a Rússia teria planos de lançar "ações agressivas contra a Ucrânia".

O americano também alertou nesta quinta-feira que se a Rússia continuar no caminho do "confronto", sofrerá "graves consequências" depois de ameaçar Moscou com duras sanções na quarta-feira.

Blinken, no entanto, afirmou que estava disposto a "facilitar" a implementação dos acordos de Minsk, firmados após a Rússia anexar a Crimeia em 2014 e que visam resolver o conflito no leste da Ucrânia entre Kiev e separatistas pró-russos. No entanto, eles nunca foram totalmente aplicados.

Depois de listar as cláusulas dos acordos afirmando que Moscou não as respeitou, Blinken acrescentou: "a melhor forma de prevenir uma crise é a diplomacia".

A reunião ministerial da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) reuniu as duas potências rivais e também a Ucrânia em Estocolmo.

Em seu discurso, Blinken também pediu à Rússia que "diminua a escalada" e retire as tropas, que, segundo os ocidentais, estão destacadas na fronteira com a Ucrânia.

Lavrov, no entanto, alertou que um "retorno ao cenário de pesadelo de um confronto militar" está se formando e acusou a Otan de "trazer sua infraestrutura militar para mais perto das fronteiras russas".

O ministro russo também se opôs a uma eventual expansão da aliança do Atlântico para o leste que incluiria a Ucrânia, mas disse que estava aberto ao diálogo.

- "Medidas dissuasivas"" -Nesta quinta-feira, Blinken também se reuniu na capital sueca com seu colega ucraniano, Dmitro Kouleba, que reiterou seu pedido de implementação de "medidas dissuasivas" para que o presidente russo Vladimir Putin "pense duas vezes antes de recorrer à força militar".

Desde novembro, Kiev e seus aliados ocidentais alertam para um reforço das tropas russas na fronteira com a Ucrânia e a possibilidade de uma invasão durante o inverno.

A Rússia - que anexou a península da Crimeia e é acusada de apoiar os separatistas - nega que esteja preparando um ataque e repreende a Otan por aumentar a tensão.

O Kremlin disse nesta quinta-feira que a disposição da Ucrânia de reconquistar a Crimeia constitui uma "ameaça direta" à Rússia.

Além da questão da Ucrânia, as últimas semanas foram marcadas pela crise migratória na fronteira de Belarus com a União Europeia e uma breve escalada dos confrontos entre a Armênia e o Azerbaijão, todos países membros da OSCE.

Os países da UE concordaram na quarta-feira sobre novas sanções contra Belarus, e os Estados Unidos disseram que anunciariam novas medidas punitivas "muito em breve".

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