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1 mês

Ocidentais preocupados com 'passo atrás' do Irã nas negociações nucleares

03/12/2021 15h45

Viena, 3 dez 2021 (AFP) - Poucos dias após a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano, em Viena, os diplomatas europeus expressaram nesta sexta-feira (3) sua "decepção e preocupação" com as exigências iranianas e o abandono dos compromissos da República Islâmica.

"Teerã está retrocedendo em quase todos os compromissos que foram difíceis de alcançar" durante a primeira rodada de negociações entre abril e junho, lamentaram os diplomatas de Reino Unido, França a Alemanha, o chamado grupo E3.

Os três criticaram o Irã por dar "um passo atrás" e porque "as propostas não podem oferecer base para negociações, não é possível avançar".

Em frente ao palácio Coburgo, onde correm as negociações, o embaixador chinês mostrou-se menos pessimista.

"Todas as partes concordaram em fazer uma pequena pausa para receber instruções. Isso é natural e necessário e esperamos que dê um novo ímpeto às negociações", disse Wang Qun a jornalistas.

As delegações retornam às suas respectivas capitais neste fim de semana e as negociações serão retomadas "na próxima semana para ver se essas diferenças podem ser superadas ou não", acrescentaram os diplomatas.

Mas "não está claro como essa lacuna pode ser preenchida dentro de um prazo realista com base no projeto iraniano", indicaram as fontes.

Apesar desses comentários negativos e do pouco tempo, os diplomatas europeus dizem que estão "totalmente comprometidos em encontrar uma solução diplomática".

Mas "o tempo está se esgotando", insistiram.

O desafio é grande: salvar o acordo internacional de 2015 que visa evitar que a República Islâmica do Irã adquira uma bomba atômica.

O compromisso, firmado em 2015 entre o Irã e seis grandes potências (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha), foi rompido em 2018 após a retirada unilateral dos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump, que voltou a impor sanções a Teerã.

O Irã respondeu, liberando-se da maioria dos compromissos incluídos no acordo.

As negociações de Viena têm como objetivo fazer com que os Estados Unidos voltem a negociar. Atualmente, o país participa de forma indireta das negociações.

- Advertência de Washington -Na quinta-feira, os Estados Unidos enviaram um alerta incisivo ao Teerã.

"O que o Irã não pode fazer é manter o status de desenvolvimento de seu programa nuclear enquanto não se envolve" nas negociações, disse o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken.

No mesmo dia, o primeiro-ministro israelense pediu aos Estados Unidos que encerrassem imediatamente as negociações com o Irã.

Em junho, os negociadores tinham concluído a primeira fase de negociações com um tom positivo, dizendo que estavam "perto" de um acordo, mas a perspectiva mudou com chegada ao poder do presidente iraniano ultraconservador Ebrahim Raissi.

O acordo de 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), contemplava suspender algumas sanções econômicas contra o Irã em troca de limites estritos ao seu programa nuclear.

Na quinta-feira, Ali Bagheri, o principal negociador de Teerã, relatou que seu país fez duas propostas para tentar salvar o acordo.

A primeira "resume a visão da República Islâmica sobre o levantamento das sanções e a segunda se refere às atividades nucleares do Irã", disse ele.

"A partir de agora, a outra parte deve examinar esses documentos e se preparar para negociar com o Irã com base nos textos apresentados", insistiu.

- "Vontade séria" -Antes de voltar a Teerã, Bagheri mencionou as "objeções" feitas pelos europeus. "Disse-lhes que era normal porque não íamos apresentar documentos e recomendações que correspondem a seus pontos de vista", explicou à agência pública Irna.

Ele também destacou "a vontade séria" do seu país em "alcançar um acordo".

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Hossein Amir-Abdollahian, elogiou as negociações durante uma conversa por telefone com seu homólogo europeu, Josep Borrell, mas disse que foram "globalmente lentas".

"Acreditamos que um bom acordo é possível, mas para isso é necessário que algumas partes mudem de postura e abandonem as ameaças", afirmou.

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