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1 mês

Nova testemunha acusa Maxwell de tê-la recrutado para Epstein em julgamento por tráfico sexual

06/12/2021 21h34

Nova York, 7 dez 2021 (AFP) - O julgamento de Ghislanie Maxwell entrou em sua segunda semana nesta segunda-feira (6) com o depoimento de outra suposta vítima que acusou a "socialite" britânica de capturá-la para manter relações com o bilionário Jeffrey Epstein.

"Kate" é a segunda de quatro mulheres que devem testemunhar contra Maxwell, de 59 anos, que se declarou inocente das seis acusações contra ela, incluindo a de tráfico sexual de menores para Epstein, um bilionário que cometeu suicídio enquanto esperava na prisão por seu julgamento.

Kate, um pseudônimo para proteger sua privacidade, disse que foi apresentada a Maxwell em Paris em 1994 quando tinha 17 anos. "Ela era muito sofisticada e muito elegante", afirmou Kate durante o interrogatório da promotoria. "Era impressionante".

Segundo Kate, ela deu a Maxwell seu número de telefone e algumas semanas depois foi convidada por ela para um chá em sua casa em Londres.

"Eu me senti realmente especial", reconheceu Kate. "Senti que esse novo contato poderia ser importante para mim. Como se alguém me quisesse, quisesse ser minha amiga".

Kate contou que contou a Maxwell sobre sua difícil vida em casa. Ela morava em Londres com sua mãe doente.

Maxwell "me falava maravilhas de seu namorado", que era um filantropo e "gostava de ajudar os jovens" e que ele "gostaria de mim", afirmou ela.

Poucas semanas depois, Maxwell convidou Kate para encontrar Epstein em sua casa em Londres e pediu a ela para "massagear os pés" e os ombros do magnata.

Mais algumas semanas depois, ela foi convidada novamente para fazer uma massagem em Epstein. De acordo com Kate, ele se despiu sobre uma mesa de massagem em uma sala escura na casa da acusada, que saiu e fechou a porta.

A massagem terminou em uma relação sexual, ao final da qual Maxwell perguntou a ela "como foi e se ela gostou". "Ela parecia muito animada e feliz", disse Kate.

- "Tinha medo" -Com esse depoimento, a promotoria quer ilustrar a participação de Maxwell no esquema para atrair jovens para fins sexuais e corroborar as declarações das outras denunciantes.

Kate voltou à casa várias vezes e a "socialite" disse a ela que Epstein "obviamente gostava muito dela". Ela viajou para as propriedades dele em Palm Beach, Nova York e no Caribe.

A depoente afirmou que viu fotos de menores na casa de Palm Beach, onde havia outras meninas muito mais novas do que ela.

Ela informou que manteve contato com Epstein até os 30 anos. "Nunca quis admitir o que tinha acontecido comigo", declarou. "Tinha medo de me afastar porque tinha visto como eles tinham conexões".

Maxwell "parecia conhecer todo o mundo". "Ele me disse que era amigo do príncipe Andrew, de Donald Trump".

Ao ser perguntada pela promotoria sobre seu vício em álcool, cocaína e remédios para dormir, ela disse que está sóbria desde maio de 2003.

A defesa de Maxwell focou justamente nesta questão para tentar ruir sua credibilidade e também seu suposto interesse em obter o apoio do governo para obter um visto em troca de seu depoimento

Kate, porém, negou estar atrás de um visto e garantiu que, apesar de seus problemas com álcool e drogas, sua memória "de coisas importantes da minha vida nunca mudou".

"Esses fatos voltam à minha cabeça o tempo todo", afirmou às lágrimas. "Eu tenho pesadelos".

Kate contou que recebeu 3,25 milhões de dólares do fundo para vítimas de Epstein e que, no caso atual, não há nada financeiramente em jogo para ela.

Maxwell, filha do ex-magnata da imprensa britânica Robert Maxwell, pode pegar prisão perpétua se for considerada culpada pelo júri.

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