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Conteúdo publicado há
1 mês

Rei emérito Juan Carlos I reivindica imunidade na Inglaterra contra acusação de assédio

06/12/2021 17h00

Londres, 6 dez 2021 (AFP) - Um advogado do rei emérito Juan Carlos I defendeu nesta segunda-feira (6) perante os tribunais da Inglaterra a imunidade de seu cliente como "membro da família real espanhola", em uma tentativa de evitar um processo por assédio movido por sua ex-amante Corinna zu Sayn-Wittgenstein.

Daniel Bethlehem argumentou em um tribunal civil de Londres que, de acordo com a Lei de Imunidade do Estado Britânico de 1978, Juan Carlos não pode ser julgado pelos tribunais ingleses e que quaisquer acusações contra ele devem ser apresentadas aos tribunais espanhóis.

"Isso não coloca sua majestade acima da lei, mas apenas reconhece que, dada sua posição constitucional, ele está sujeito à jurisdição da Suprema Corte da Espanha, e apenas da Suprema Corte da Espanha", disse o advogado perante o magistrado Mateus Nicklin do Supremo Tribunal de Londres.

Juan Carlos I, de 83 anos, abdicou em 2014 em favor de seu filho, Felipe VI, após uma série de escândalos que começaram em 2012 com uma caça a elefantes em Botsuana, aonde viajou acompanhado de Corinna zu Sayn-Wittgenstein. A dinamarquesa é divorciada de um príncipe alemão, cujo sobrenome ela manteve, embora também seja conhecida pelo nome de solteira, Corinna Larsen.

As revelações subsequentes desta ex-amante sobre uma suposta malversação cometida por Juan Carlos acabaram levando o rei emérito ao exílio em agosto de 2020 nos Emirados Árabes Unidos.

O rei vive no país desde então, afastado da vida política espanhola. Após a abdicação, ele perdeu a imunidade que o protegia desde que foi nomeado chefe de Estado em 1975, depois da morte do ditador Francisco Franco, que o designou como seu sucessor.

Durante décadas foi elogiado internacionalmente e respeitado nacionalmente por ter levado a democracia para a Espanha, mas nos últimos anos Juan Carlos tem enfrentado escândalos sucessivos e se tornando um alvo crescente da Justiça.

Agora, aquela que afirma ter sido sua amante entre 2004 e 2009 - até 2014 de acordo com alguns observadores reais - tenta mover uma ação civil contra ele no Reino Unido, onde ela tem duas residências.

A empresária de 57 anos afirma ter sido espionada e assediada por ordem do rei emérito depois que ela se recusou a retomar seu relacionamento com ele, o que ele nega "veementemente".

"Ele exigiu a devolução dos presentes", a "ameaçou" e "posteriormente praticou e organizou uma série de atos de vigilância velada e aberta, causando angústia e ansiedade" em sua ex-amante, diz o processo, ainda não aceito pela justiça britânica.

A audiência sobre a imunidade do rei emérito vai durar até terça-feira, mas o juiz Nicklin não deve emitir uma decisão imediatamente.

acc/mb/jc/mvv