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1 mês

Vinte pessoas condenadas à morte por assassinato de estudante em 2019 em Bangladesh

08/12/2021 08h07

Dacca, 8 dez 2021 (AFP) - Um tribunal de Bangladesh condenou nesta quarta-feira (8) 20 pessoas à pena de morte pelo assassinato em 2019 de um estudante que havia criticado o governo nas redes sociais.

"Vinte pessoas foram condenadas à morte e outras cinco à prisão perpétua pelo assassinato de Abrar Fahad", afirmou o promotor Abdullah Abu.

O corpo de Abrar Fahad, de 21 anos, foi encontrado em seu quarto na Universidade de Engenharia e Tecnologia de Bangladesh, em Dacca, em outubro de 2019.

Poucas horas antes de sua morte, o jovem publicou no Facebook críticas à primeira-ministra Sheikh Hasina, que acabara de assinar um acordo para que a Índia fosse autorizada a retirar água de um rio na fronteira dos dois países.

Fahad foi agredido brutalmente com bastões de críquete e outros objetos durante seis horas por 25 pessoas, integrantes da Liga Chhatra de Bangladesh, a unidade universitária da Liga Awami, partido que governa o país.

Os condenados à morte tinham entre 20 e 22 anos no momento dos fatos.

"Estou satisfeito com o veredicto", declarou o pai da vítima à imprensa.

O procurador-geral Mohamad Abu Abdullah Bhuiyuan afirmou à AFP que a morte do jovem estudante foi premeditada.

Três acusados foram julgados à revelia porque estão foragidos.

Faruque Ahmed, um dos advogados de defesa, afirmou que vai recorrer contra a sentença.

"Estou muito decepcionado com o veredicto. Não é justo", declarou à AFP. "Eles foram condenados à morte, embora não existam evidências reais contra eles", acrescentou.

O assassinato do estudante teve um grande impacto em Bangladesh e revelou a cultura de violência presente nas universidades públicas.

Também provocou uma onda de manifestações com pedidos de justiça e da proibição da Liga Chhatra.

O grupo viu seu nome envolvido nos últimos anos em atos de violência, assassinato e extorsão. Em 2018, militantes da Liga foram acusados de reprimir uma grande manifestação estudantil contra o governo e a favor da segurança nas estradas.

A primeira-ministra Hasina prometeu na época que os assassinos seriam punidos.

As condenações à morte são frequentes em Bangladesh, onde centenas de pessoas estão no corredor da morte. Todos os condenados são enforcados, uma herança da colônia britânica.

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