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Confusão durante evento religioso termina com 29 mortos na Libéria

As razões da tragédia na Libéria ainda não foram esclarecidas - AFP
As razões da tragédia na Libéria ainda não foram esclarecidas Imagem: AFP

Monróvia, na Libera

20/01/2022 09h46Atualizada em 20/01/2022 14h21

Pelo menos 29 pessoas morreram, incluindo várias crianças, na madrugada desta quinta-feira (20) na capital da Libéria, Monróvia, durante uma enorme confusão em um evento religioso cristão em um campo de futebol, informou a polícia.

"Crianças que participavam desta cruzada", nome dado a esse tipo de encontro, estão entre as vítimas, disse à AFP o porta-voz da polícia local, Moses Carter.

Ele acrescentou que o número de vítimas na tragédia provavelmente aumentará. "O número (de mortos) pode aumentar porque outras pessoas estão em estado crítico", declarou.

As razões da tragédia ainda não foram totalmente esclarecidas. As informações confirmadas sobre as circunstâncias são incompletas.

A imprensa local informou que os fiéis foram atacados por bandidos, o que teria causado pânico entre os presentes.

"Quando estávamos saindo, zogos (nome dado a bandidos de rua) armados com facas começaram a pedir dinheiro e telefones", contou Elisabeth Wesseh, de 34 anos.

"Ficamos assustados e começamos a correr, mas a saída era pequena demais para todos. Aqueles que caíram, foram pisoteados pelos outros", disse ela.

O pânico causou um refluxo. "As pessoas que saíam se encontraram com aquelas que fugiam", disse Dixon Seebo, um parlamentar local.

"Entre as vítimas, há onze crianças e 18 adultos", informou.

Os fatos ocorreram durante um evento de dois dias no bairro pobre de New Kru, na periferia leste da capital.

A reunião de oração em torno de um pregador popular, o pastor Abraham Kromah, atraiu grandes multidões, de acordo com imagens divulgadas pela imprensa e que circulam nas redes sociais.

Tais encontros, caracterizados por seu fervor religioso, são comuns neste país muito religioso e predominantemente cristão, um dos mais pobres do planeta, duramente atingido por guerras e doenças em sua história recente.

No final do evento, os fiéis foram convidados a fazer uma oferta antes de partir, segundo informou uma testemunha.

"Quando aqueles que haviam deixado sua oferta saíram do local, ouvimos um barulho muito alto vindo da entrada", disse a testemunha, Emmanuel Gray, de 26 anos, à AFP.

"Quando chegamos lá, encontramos muitas pessoas caídas no chão, mortas, e outras lutando pela sobrevivência", relatou.

O presidente George Weah, "afligido por esta calamidade", declarou três dias de luto nacional e ordenou que todas as bandeiras fossem hasteadas a meio mastro em prédios públicos em todo o país.

Ele pediu que a polícia realize rapidamente "uma investigação exaustiva para descobrir se atos criminosos são ou não responsáveis" pela tragédia.

A Libéria, um país de cerca de 5 milhões de pessoas na costa atlântica, luta para se recuperar de duas guerras civis que deixaram cerca de 250 mil mortos e centenas de milhares de deslocados entre 1989 e 2003.

As duas guerras civis causaram o colapso do Estado, devastaram a economia e as infraestruturas industriais.

Depois, a Libéria foi um dos três países mais afetados pelo vírus Ebola que eclodiu na África Ocidental em dezembro de 2013 e durou mais de dois anos. No total, mais de 11.300 pessoas morreram da doença no continente, incluindo mais de 4.800 na Libéria.

Mais recentemente, a pandemia de covid-19 dificultou ainda mais os esforços de recuperação.

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