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Policiais são julgados por passividade no assassinato de George Floyd

George Floyd, de 46 anos, foi sufocado enquanto era imobilizado por um policial branco que colocou seu joelho no pescoço dele por quase nove minutos - REPRODUÇÃO
George Floyd, de 46 anos, foi sufocado enquanto era imobilizado por um policial branco que colocou seu joelho no pescoço dele por quase nove minutos Imagem: REPRODUÇÃO

Em Saint Paul

20/01/2022 14h04

O policial branco Derek Chauvin já foi condenado a 22 anos de prisão por matar o afro-americano George Floyd. Agora é a vez de três de seus colegas, que serão julgados pelas suas ações, ou pela falta delas, no dia do assassinato.

A Justiça federal começa hoje a seleção dos doze jurados que deverão decidir sobre a culpabilidade de Tou Thao, Alexander Kueng e Thomas Lane, acusados de terem violado as leis americanas sobre os "direitos civis" de Floyd.

São acusados não terem fornecido ajuda enquanto Floyd morria sufocado pelo joelho de seu colega Chauvin em 25 de maio de 2020 em Minneapolis, no norte dos Estados Unidos.

Naquele dia, os quatro policiais participaram da operação de prisão do afro-americano de 46 anos, suspeito de ter comprado um pacote de cigarros com uma nota falsa de 20 dólares.

Para controlar este homem de estatura imponente, os policiais o derrubaram no chão, algemaram e cada um tomou sua posição.

Chauvin, um homem branco com 19 anos de experiência policial, se ajoelhou sobre seu pescoço; Alexander Kueng, um agente negro novato, se posicionou sobre suas costas; Thomas Lane, branco de 30 anos e recém-contratado, prendeu as pernas; e Tou Thao, americano de origem asiática com oito anos na força policial, manteve os transeuntes afastados, horrorizados pelas súplicas e gemidos de Floyd.

Permaneceram assim por quase dez minutos. A cena, filmada e divulgada online, provocou enormes protestos contra o racismo e a violência policial em todo Estados Unidos e fora dele, e continua alimentando a reflexão sobre o passado racista desse país.

"Indiferença deliberada"

A Justiça de Minnesota iniciou então um processo por assassinato contra Derek Chauvin e por cumplicidade no assassinato contra seus colegas.

Chauvin, que para muitos americanos se transformou na encarnação da violência policial, foi julgado neste contexto e condenado a 22 anos e meio de prisão.

O julgamento dos outros três nos tribunais locais foi adiado várias vezes e deve começar finalmente em 13 de junho.

Ao mesmo tempo, os promotores federais acusaram em maio os quatro agentes de "violar os direitos civis" de Floyd, incluindo a liberdade e a segurança.

Em dezembro, Chauvin se declarou culpado na acusação federal, admitindo pela primeira vez sua responsabilidade parcial na tragédia.

Portanto, seus três colegas comparecerão sem ele a partir de quinta-feira em um tribunal federal de Saint-Paul, a cidade gêmea de Minneapolis, onde a segurança foi reforçada.

São acusados de não terem fornecido a assistência necessária a Floyd, apesar dos sinais de risco médico.

"Viram George Floyd jogado no chão, claramente em sofrimento médico, e conscientemente não lhe forneceram assistência, agindo com deliberada indiferença", segundo a acusação.

Os três homens se declaram inocentes. Espera-se que os dois mais novatos insistam durante o julgamento na autoridade exercida por Derek Chauvin, um policial experiente.

Tou Thao argumentará possivelmente que estava concentrado nos pedestres e não percebeu o sofrimento de George Floyd.

O juiz encarregado do julgamento prevê dois dias para selecionar o júri e espera começar esse processo na segunda-feira, o qual poderia durar duas semanas.

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