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Senado dos Estados Unidos enterra reforma eleitoral de Biden

19.jan.2022 - O presidente dos Estados Unidos, Joe Bide, durante coletiva de imprensa na véspera de seu primeiro ano no cargo - Mandel Ngan/AFP
19.jan.2022 - O presidente dos Estados Unidos, Joe Bide, durante coletiva de imprensa na véspera de seu primeiro ano no cargo Imagem: Mandel Ngan/AFP

Em Washington

20/01/2022 07h37

Senadores dos Estados Unidos deram um golpe fatal ontem ao projeto de reforma eleitoral promovido pelo presidente Joe Biden para defender o direito de voto para minorias.

Diante de um bloqueio republicano, os democratas não conseguiram promover dois projetos de lei já aprovados pela Câmara de Representantes e desistiram de ativar um procedimento especial que lhes permitiria submeter ambos os textos a votação na Câmara Alta apesar da rejeição da oposição.

"Estou profundamente desapontado que o Senado não tenha defendido nossa democracia. Estou desapontado, mas não dissuadido", escreveu Biden no Twitter.

"Continuaremos avançando na legislação necessária e pressionando por mudanças nos procedimentos do Senado que protegerão o direito fundamental ao voto", acrescentou.

Democratas e ativistas pelos direitos do sufrágio defendiam o projeto de lei como uma resposta necessária aos esforços republicanos para restringir o voto, especialmente entre negros e latinos.

"Eu sei que não é 1965. É isso que me deixa tão indignado. É 2022 e eles estão descaradamente removendo mais locais de votação de condados onde negros e latinos estão super-representados", dreclarou o democrata de Nova Jersey Cory Booker no Senado.

"Não estou inventando isso. É um fato", comentou.

Estados governados por conservadores passaram o ano passado aproveitando as alegações infundadas do ex-presidente Donald Trump sobre fraude eleitoral nas eleições de 2020 para introduzir uma série de regulamentos que complicam o exercício do voto.

O projeto promovido por Biden teria garantido o direito ao voto pelo correio, nas urnas e pelo menos duas semanas de votação antecipada, além de tornar o Dia das Eleições um feriado nacional.

Também procurava impedir a prática de redistritamento em favor do partido no poder e exigiria que estados com histórico de discriminação obtivessem autorização federal para alterar as regras eleitorais.

Mas todos os 50 senadores republicanos votaram contra as reformas, argumentando que restrições como limitar a votação por correspondência e insistir na identificação do eleitor eram apenas senso comum.

"A preocupação é equivocada. Se você olhar para as estatísticas, os eleitores negros estão votando em uma porcentagem tão alta quanto os demais nos Estados Unidos", disse o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, a repórteres antes da votação.

"Em uma pesquisa recente, 94% dos americanos acharam que era fácil votar. Isso não é um problema. A participação aumentou. É a maior participação desde 1900", disse ele.

O Senado está dividido igualmente entre 50 republicanos e 50 democratas e, em caso de empate, a vice-presidente Kamala Harris decide.

Sem senadores republicanos quebrando fileiras, os democratas não conseguiram ultrapassar o limite de 60 votos necessário para levar o projeto a votação.

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