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Camarões: incêndio provocado por fogos de artifício mata 16 em boate

Incêndio provocado por fogos de artifício deixou mortos e feridos - Kenzo Tribouillard/AFP
Incêndio provocado por fogos de artifício deixou mortos e feridos Imagem: Kenzo Tribouillard/AFP

Yaoundé, Camarões

23/01/2022 10h16

Um incêndio de origem acidental causado por fogos de artifício matou pelo menos 16 pessoas na madrugada deste domingo (23) em uma boate num bairro nobre de Yaoundé, a capital de Camarões.

Esta tragédia ocorre quando o país sedia a Copa das Nações Africanas (CAN), a principal competição do futebol africano.

Incêndios não são incomuns em Camarões em estabelecimentos noturnos, assim como as debandadas fatais, mas o número de vítimas dessa tragédia é o maior dos últimos anos.

A tragédia ocorreu no meio da madrugada no salão principal da Liv's Night Club, localizada no bairro de Bastos, que abriga luxuosas casas, embaixadas e residências de diplomatas.

"Um incêndio acidental" eclodiu e "o primeiro relatório aponta 16 mortos (...) e oito feridos graves", anunciou o ministério das Comunicações em comunicado.

"O drama, que foi causado por fogos de artifício normalmente usados nesses locais, primeiro consumiu o teto do prédio, resultando em duas explosões de grande amplitude, causando pânico e debandada", explicou o ministério.

"Quando chegamos, havia pânico, havia um incêndio com muita fumaça", contou à AFP um oficial dos bombeiros de Yaoundé. "Contamos 16 mortos e cinco feridos".

No pátio do estabelecimento, alguns objetos carbonizados evocam um incêndio, mas a fachada da boate não foi destruída nem carbonizada, observou um jornalista da AFP.

"Foi muito rápido, era pouco depois das 2h e a maioria dos clientes chega por volta das 3h, aconteceu no salão", disse à AFP um segurança presente no momento da tragédia.

Cem pessoas estavam reunidas no final da manhã no necrotério do hospital militar de Ekounou.

Lá, mulheres gritavam sua dor, caídas no chão, outras, em prantos, eram apoiadas por familiares.

Mais adiante, homens e mulheres, prostrados, lamentavam sentados em bancos de madeira.

"Não estava sabendo de nada. Acordei esta manhã e me disseram que meu filho de 38 anos tinha morrido", comentou Fidèle.

"Estava esperando meu irmão e seus amigos ontem à noite para jantar, mas eles não vieram e por volta das 7 da manhã recebi ligações de todos os lugares perguntando se meu irmão estava vivo ou morto e eu vim para o necrotério, já identifiquei seu corpo", disse Claude, filha de Fidèle e irmã da vítima.

"Eles estavam em cinco, estavam celebrando uma despedida de solteiro. Apenas um sobreviveu", contou.

"Perdi meu irmãozinho", gritava Stéphane Hamza, de 38 anos. "Era um menino bom e simpático, que trabalhava como garçom na boate há cerca de dois meses. Quando soube da explosão, fui ao necrotério e soube que ele estava morto", soltou.

Em Douala, capital econômica no sul, nos últimos seis anos, pelo menos cinco discotecas foram palco de incêndios acidentais que destruíram parcial ou totalmente o estabelecimento.

Uma boate também foi palco há dois anos de uma debandada mortal após uma briga.

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