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4 meses

Sete migrantes morrem de frio durante travessia do Mediterrâneo

25/01/2022 15h40

Roma, 25 Jan 2022 (AFP) - Sete imigrantes morreram de frio, quando tentavam cruzar o Mar Mediterrâneo, procedentes da Líbia, em uma embarcação com 280 pessoas a bordo - disse o prefeito da ilha italiana de Lampedusa, Toto Martello, à AFP, nesta terça-feira (25).

"Três pessoas morreram durante a travessia. Outras quatro chegaram com hipotermia severa e morreram durante a transferência para a ilha, após serem interceptadas pela Guarda Costeira italiana", relatou o prefeito Martello.

De acordo com o programa humanitário das igrejas evangélicas italianas, o Mediterranean Hope, as 280 pessoas a bordo são oriundas de Bangladesh, Egito, Mali e Sudão, e "quase todas se encontravam em estado de hipotermia severa".

As sete vítimas eram de Bangladesh, informou a imprensa italiana.

"O que mais surpreendente é o silêncio ensurdecedor do governo italiano e da Europa diante dessas mortes", lamentou Martello.

Os sobreviventes foram enviados para o centro de saúde e para o alojamento da pequena ilha, mais próxima da África do que da Itália.

O centro, que tem 250 vagas, abriga mais de 600 pessoas no momento e teme-se que mais imigrantes cheguem, fugindo da guerra e da pobreza.

O número de migrantes que chegaram à Itália aumentou de forma considerável, passando de 34.000, em 2020, para 64.500, em 2021.

"A chegada de migrantes se tornou um fenômeno permanente. Não há diferença entre o verão e o inverno", ressaltou Martello.

A comunidade de Sant'Egidio, próxima ao Vaticano e que trabalha para criar corredores humanitários para migrantes, expressou comoção por "esta enésima tragédia no mar".

"Não é aceitável morrer de frio a poucos metros da Europa", reagiu em nota, pedindo à Europa que "saia de sua letargia" e desenvolva "rotas de entrada legais".

"Esta tragédia mostra que, mesmo no inverno, é urgente aumentar o número de barcos de resgate no mar para que possam ajudar rapidamente os migrantes, salvar suas vidas e levá-los a um porto seguro", disse o porta-voz da Organização Internacional para as Migrações(OIM), Flávio Di Giacomo.

"Mais uma vez, uma nova tragédia ocorreu diante da indiferença geral. A União Europeia deve intervir para cessar um verdadeiro genocídio", tuitou o prefeito de Palermo, capital da Sicília.

Apesar das temperaturas abaixo de zero e do mar agitado, cerca de 1.750 pessoas chegaram à Itália desde o início do mês. É número elevado em comparação com as 379 que desembarcaram no mesmo mês do ano passado.

bur-kv/bl/tt/jc