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'Burquíni' agita o debate político na França

16/05/2022 17h04

Grenoble, França, 16 Mai 2022 (AFP) - A cidade de Grenoble aprovou, nesta segunda-feira (16), que as mulheres muçulmanas podem usar o "burquíni" em piscinas públicas, uma decisão polêmica que o governo francês ameaça bloquear.

A Câmara Municipal validou nesta segunda uma mudança do regulamento interno das piscinas que se traduz na autorização do uso dessa roupa de banho.

A deliberação foi aprovada com uma estreita maioria de 29 votos a favor, 27 contra e duas abstenções, após duas horas e meia de debate, que, por vezes, se mostrou tenso.

O prefeito Éric Piolle rejeitou as objeções da oposição, alegando uma batalha "feminista", sanitária e "laica", porque nada impede o uso de roupas religiosas no espaço público, "inclusive na piscina".

A questão do 'burquíni', assim como a do véu, tende a esquentar o debate político na França, especialmente em um período eleitoral como o atual, a menos de um mês das eleições legislativas.

Piolle defende que a reforma do regulamento municipal das piscinas procura pôr fim às "proibições aberrantes do vestuário" e às ordens "sobre o corpo das mulheres".

Recebeu o apoio de uma centena de personalidades, incluindo feministas conhecidas como Caroline de Haas e Alice Coffin, para quem "ninguém deve ser estigmatizado nas piscinas por causa do seu tipo de maiô".

Mas para seus críticos, o 'burquíni' - que cobre o corpo e a cabeça, mas não o rosto - representa um símbolo da opressão das mulheres e até o comparam ao véu integral que o Talibã acaba de impor às mulheres no Afeganistão.

Piolle "não percebe o dano que está causando aos nossos valores republicanos", disse nesta segunda Prisca Thévenot, do partido do presidente centrista Emmanuel Macron. Para a extrema-direita, significa ceder ao "Islã político".

A decisão representa um novo impulso de um debate recorrente na França, sobre o laicismo e a adequação do Islã. Desde 2004, o uso de símbolos religiosos visíveis nas escolas é proibido e os funcionários públicos estão sujeitos ao princípio da "neutralidade".

Durante a última campanha presidencial, a candidata de extrema-direita Marine Le Pen propôs proibir o véu em espaços públicos, mas não o quipá judeu, algo que, segundo Macron, levaria a França a uma "guerra civil".

Para o governo, o objetivo de autorizar o burquíni é "ceder às demandas comunitárias para fins religiosos" e essa decisão pode violar o princípio da "laicidade estabelecido pela lei de 1905".

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