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1 mês

EUA aliviam pressão sobre a Venezuela para promover diálogo político

17/05/2022 22h55

Washington, 18 Mai 2022 (AFP) - Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (17) que irão aliviar algumas sanções contra a Venezuela, entre elas uma ligada à petrolífera Chevron, como um gesto para promover a retomada do diálogo entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição apoiada por Washington.

O governo Biden divulga essas medidas envolvendo a Venezuela um dia após levantar uma série de restrições a Cuba. Os dois países, assim como a Nicarágua, são considerados ditaduras pelos Estados Unidos.

Embora os funcionários americanos falem de "coincidências", a aproximação da Cúpula das Américas, da qual Biden será o anfitrião em junho em Los Angeles, pode ter algo a ver.

A Casa Branca não informou ainda a lista de convidados mas o chefe da diplomacia para as Américas, Brian Nichols, afirmou no começo do mês não esperar que Cuba, Nicarágua e Venezuela participem por considerar que não respeitam os preceitos diplomáticos.

O México, primeiro de alguns países da região a ameaçar com boicote o evento se houver países excluídos, poderia ser, então, sensível a esta flexibilização da posição americana.

Com relação à Venezuela, um alto funcionário americano disse a jornalistas que a decisão está "vinculada a um acordo entre ambas as partes para a retomada das negociações" na Cidade do México para encontrar uma solução para a crise política venezuelana, "que deverá ser anunciada muito em breve".

Ela especificou que o governo de Joe Biden tomou essas medidas "a pedido do governo interino venezuelano", liderado pelo opositor Juan Guaidó, que os Estados Unidos consideram o presidente legítimo da Venezuela depois que Maduro assumiu um segundo mandato em 2019.

O governo Maduro, reeleito até 2025 em eleições consideradas fraudulentas por vários países, e a Plataforma Unitária da Venezuela, que reúne a oposição, iniciaram em meados de agosto diálogos na Cidade do México com vistas a superar uma profunda crise política, econômica e humanitária.

Os diálogos estão estagnadas desde outubro, quando Maduro as suspendeu em repúdio à extradição para os Estados Unidos do empresário Alex Saab, acusado de ser seu testa-de-ferro.

Mas uma visita surpreendente de emissários do governo Biden a Caracas em março levou à libertação de dois americanos detidos há anos na Venezuela e a promessa de retomar o diálogo com a oposição.

Essa viagem ocorreu depois que os Estados Unidos proibiram as importações de petróleo russo devido à guerra na Ucrânia. Mas o funcionário americano negou que as medidas anunciadas nesa terça-feira estejam relacionadas aos "preços do petróleo".

A Plataforma Unitária esclareceu que não pediu a Washington a flexibilização das sanções individuais, não reveladas. Também pediu uma data e agenda para retomar as conversas no México.

- Tensões políticas internas -O "alívio de sanções" à Venezuela anunciado nesta terça se refere sobretudo a uma "licença limitada" concedida ao grupo petrolífero norte-americano Chevron no contexto do embargo ao petróleo venezuelano, imposto por Washington a Caracas em 2019 em uma tentativa de tirar Maduro do poder.

A flexibilização "autoriza a Chevron a negociar os termos de possíveis atividades futuras na Venezuela", mas "não permite fechar nenhum novo acordo com a PDVSA (companhia petrolífera estatal venezuelana)", explicou o alto funcionário americano sob a condição do anonimato.

Após o anúncio de Washington, Caracas pediu a "suspensão absoluta" as sanções internacionais.

"Venezuela verificou e confirmou (...) que os Estados Unidos da América autorizaram empresas petroleiras americanas e europeias para que negociem e reiniciem operações na Venezuela", escreveu a vice-presidente Delcy Rodríguez no Twitter.

"A Venezuela aspira a que estas decisões dos Estados Unidos da América iniciem o caminho para a suspensão absoluta das sanções ilícitas que afetam todo o nosso povo", acrescentou.

- A política punitiva "será calibrada" -O Tesouro americano planeja revelar "outra medida" em uma data posterior, acrescentou. E enfatizou: "Nenhum desses alívios de pressão levaria a um aumento de renda para o regime".

Segundo a imprensa, os Estados Unidos retirariam de sua lista de pessoas sancionadas Carlos Erik Malpica Flores, sobrinho da primeira-dama da Venezuela e ex-funcionário do alto escalão da PDVSA.

"Nenhum desses alívios de pressão levaria a um aumento de receita para o regime", ressaltou o funcionário de Biden. "Nosso enfoque tem sido apoiar o governo interino e a Plataforma Unitária, a fim de que o regime tome medidas para conseguir eleições livres e justas, por meio de negociações".

Nesse sentido, disse o funcionário, a política de sanções será "calibrada" para reduzir a pressão em caso de avanços em direção à restauração democrática, ou aumentada se o processo sair dos trilhos. A estratégia de Biden, no entanto, gera tensões políticas internas.

Bob Menéndez, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado e membro influente do Partido Democrata de Biden, declarou-se a favor de uma solução negociada para a crise venezuelana, mas disse que "os Estados Unidos devem considerar apenas recalibrar as sanções em resposta a passos concretos".

"Dar a Maduro um punhado de dádivas não merecidas para que seu regime prometa se sentar para negociar é uma estratégia fadada ao fracasso", afirmou Menéndez, após criticar as medidas anunciadas sobre Cuba.

Seu colega republicano Marco Rubio foi além, acusando Biden de "apaziguar" ditadores: "Não podemos seguir permitindo que os simpatizantes marxistas do governo Biden dirijam a política externa dos Estados Unidos."

Dezoito congressistas da ala esquerda do Partido Democrata pediram na semana passada a Biden que levantasse as sanções contra a Venezuela e continuasse o diálogo com o governo de Nicolás Maduro, após o "compromisso construtivo" da Casa Branca com a viagem a Caracas em março.

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