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1 mês

'Fico', o dique contra 'temida' maré da esquerda na Colômbia

18/05/2022 13h43

Armenia, Colômbia, 18 Mai 2022 (AFP) - Em tom solene, Federico Gutiérrez pede uma oração pelos militares mortos pela violência na Colômbia. Na frente dele, simpatizantes levantam cartazes contra o comunismo. Um público com poucos jovens irrompe em aplausos, quando o candidato promete derrotar o "populismo autoritário" de esquerda.

Gutiérrez se sente à vontade. Não é um político grandiloquente ou dos palcos. Sua coisa, insiste, é estar na rua conversando com as pessoas. Mas desta vez, em uma de suas raras aparições em praça pública, emociona com seu discurso.

"Fico", como gosta de ser chamado esse engenheiro civil de 47 anos que levanta as bandeiras "de ordem e tranquilidade", está em terras conservadoras, no Eixo cafeeiro, onde a direita concentra seu apoio às eleições de 29 de maio. Guerrilheiros, paramilitares e narcotraficantes deixaram um rastro de sangue e profundo ressentimento na região.

Em uma hora de intervenção, Gutiérrez oferece suporte ao campo produtivo e à livre iniciativa. E promete "enfrentar sem medo" os grupos que permanecem armados mesmo após o acordo de paz com a ex-guerrilha das FARC.

- Pesquisas -Enquanto o senador e ex-guerrilheiro Gustavo Petro lidera as pesquisas no resto do país; Nos departamentos cafeeiros de Caldas, Quindío e Risaralda, a balança tende para esse ex-prefeito de Medellín (2016-2019), o que poderia levá-lo ao segundo turno marcado para 19 de junho.

"Vamos derrotar qualquer projeto populista e autoritário que estiver no caminho!", declarou Gutiérrez.

Embora evite rótulos ideológicos, "Fico" representa uma coalizão de forças de direita, incluindo o partido no poder. No entanto, pouco menciona do impopular governo de Iván Duque e evita se aproximar do ex-presidente Álvaro Uribe, que caiu em desgraça por seus problemas legais.

Segundo a empresa Invamer, em Antioquia, cuja capital é Medellín, e na região cafeeira, há uma intenção de voto de 49,8% para "Fico" contra 27,5% para Petro.

No início de maio, Petro suspendeu uma visita à região devido a suspeitas de um plano para matá-lo. A esquerda, que muitos ainda associam à luta armada e ao espectro comunista, nunca governou e sua ascensão assusta as elites.

Na Armenia, "Fico" caminha entre cartazes escritos com frases como "não aos comunistas" ou "não somos terroristas".

Como prefeito de Medellín, segunda cidade da Colômbia, levantou as bandeiras da segurança e atuou contra o crime organizado. Postava nas redes sociais vídeos de si mesmo patrulhando, ao lado de homens uniformizados, por bairros perigosos. Ele terminou seu mandato com mais de 80% de popularidade.

Ao final de seu discurso, atende à AFP por alguns minutos. Gutiérrez diz estar preocupado que a Colômbia esteja "nadando em coca" - a matéria-prima da cocaína - e promete um "Estado forte contra" as máfias.

Sem mencionar Petro, Gutierrez parte para o ataque. Outros "querem expropriar para acabar com a Colômbia", nós "vamos nos apropriar dos territórios", diz. O público aplaude furiosamente.

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