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Reparação histórica: Estado argentino é responsabilizado por massacre de indígenas em 1924

Bandeira da Argentina hasteada na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, em Buenos Aires - Ricardo Ceppi/Getty Images
Bandeira da Argentina hasteada na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, em Buenos Aires Imagem: Ricardo Ceppi/Getty Images

19/05/2022 18h57

A justiça declarou nesta quinta-feira (19) comprovada a responsabilidade do Estado argentino na morte de mais de 400 indígenas em Chaco (nordeste) na década de 1920.

A juíza federal Zunilda Niremperger qualificou os fatos como "crimes contra a humanidade no marco do genocídio dos povos indígenas". O massacre ocorreu durante a presidência de Marcelo T. de Alvear (1922-1928).

De acordo com a sentença, em 19 de julho de 1924, cerca de cem policiais e alguns civis armados, apoiados por um avião, chegaram à reserva onde viviam mil pessoas dos povos Qom e Mocoit.

Alguns trabalhadores estavam em greve devido às condições deploráveis às quais eram submetidos, à escassez de comida, falta de pagamentos e altos impostos. Apesar de trabalharem na região, a livre circulação de muitos era impedida.

Os homens armados disparam contra os nativos durante um hora.

"Entre 400 e 500 membros dos grupos étnicos Qom e Mocoit morreram", afirma o texto. "Os feridos que não conseguiram escapar foram mortos da forma mais cruel possível. Houve mutilações, exposições e enterros em valas comuns", acrescenta.

Os sobreviventes precisaram se esconder por anos.

A juíza ordenou a publicação da sentença no Diário Oficial e a inclusão do estudo do massacre nos programas escolares e universitários, entre outras "medidas de reparação histórica".

Historiadores afirmam que durante a formação da Argentina como nação independente, povos originários foram subjugados até seu extermínio.

Um dos episódios mais trágicos é o conhecido como 'A Campanha do Deserto', durante a incorporação da Patagônia ao território nacional, que deixou um saldo de pelo menos 14.000 indígenas mortos entre 1878 e 1885.

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