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1 mês

Estrela de Johnny Depp se apagou por 'comportamento não profissional', diz ex-agente

19/05/2022 20h05

Washington, 19 Mai 2022 (AFP) - A carreira e as finanças de Johnny Depp já estavam com problemas antes de sua então esposa, Amber Heard, o acusar de violência doméstica em 2016, conforme apontaram os depoimentos de seu ex-agente e de seu empresário nesta quinta-feira (19).

Tracey Jacobs, ex-agente de Depp, disse que o ator "se tornou a maior estrela do mundo" durante as três décadas que o representou em Hollywood.

Mas a reputação do protagonista de "Piratas do Caribe" começou a decair depois de 2010 devido à seu "comportamento pouco profissional", afirmou.

Esta agente de United Talent Agency (UTA) deu um depoimento gravado no julgamento do processo por difamação que Depp, de 58 anos, apresentou contra sua ex-esposa, de 36.

Heard, que pediu uma ordem de restrição contra Depp alegando violência doméstica antes do divórcio, escreveu um artigo de opinião publicado no jornal Washington Post em dezembro de 2018, no qual se descreveu como uma "figura pública que representa o abuso doméstico", sem mencionar o marido.

O ator a processou por insinuar que era um abusador e pede 50 milhões de dólares em perdas e danos.

A protagonista do filme "Aquaman" contra-processou, pedindo 100 milhões de dólares e alegando que sofreu "violência física e abusos desenfreados".

Durante os quatro dias que passou prestando depoimento, Depp negou as agressões físicas e garantiu que a ex-mulher era a parte violenta da relação.

Os advogados de Depp alegam que as acusações de abuso doméstico danificaram a reputação de seu cliente. Mas sua ex-agente garantiu que o ator já havia começado a decair antes disso.

Jacobs afirmou que o "comportamento não profissional" de Depp incluía o uso de drogas e álcool, além de "chegar tarde no set consistentemente em praticamente todos os filmes".

"As equipes de produção não gostam de esperar horas e horas e horas para a estrela aparecer", explicou. "É uma comunidade pequena e isso deixou as pessoas relutantes em procurá-lo", disse.

Ela alegou que Depp estava em tanto "desespero financeiro" em janeiro de 2016 que procurou a agência para pedir 20 milhões de dólares.

"A proposta não foi formulada como um empréstimo", disse, acrescentando que seus sócios disseram a Depp que a empresa "não era um banco", embora o tenham ajudado a obter um empréstimo através do Bank of America.

- "Extremamente preocupado" -Por sua vez, Josh Mandel, ex empresário de Depp, foi interrogado sobre as finanças do ator.

Respondeu que estava "extremadamente preocupado" pela situação financeira de Depp em 2015.

Houve conversas "constantes" com o ator para reduzir seus gastos, mas isso "nunca aconteceu", acrescentou.

"Com o tempo, se tornou evidente que tinha problemas com o álcool e as drogas" e "isso se traduzia em um comportamento mais errático", detalhou.

A certa altura, Depp estava gastando US$ 300.000 por mês em funcionários em tempo integral e outros US$ 100.000 por mês em um médico e enfermeiras para garantir sua sobriedade, indicou.

Mandel estimou que Depp ganhou em torno de 600 milhões de dólares durante as décadas que o representou.

Indicado três vezes ao Oscar, o ator demitiu Mandel em 2016, que o processou, embora ambos tenham chegado a um acordo em 2018.

Depp também demitiu Jacobs em 2016. Questionada sobre o motivo, ela afirmou: "realmente não sei. Tudo o que sei é que rompeu com praticamente todos que estavam na sua vida".

Os advogados de Depp convocaram para depor especialistas que declararam que o ator perdeu milhões de dólares devido as acusações de abuso doméstico, incluindo US$ 22,5 milhões pelo sexto filme da franquia "Piratas do Caribe",

O ator processou a ex-mulher nos Estados Unidos depois de perder um caso de difamação em Londres, quando atacou o tabloide britânico The Sun por chamá-lo de "marido violento".

Heard e Depp se conheceram em 2009 no set de "Diário de um Jornalista Bêbado" e se casaram em fevereiro de 2015. O divórcio foi finalizado dois anos depois.

A juíza Penney Azcarate marcou as alegações finais do caso para 27 de maio. Depois delas, o júri irá deliberar.

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