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Hungria alerta UE sobre dificuldades para acordo sobre embargo a petróleo russo

Viktor Orbán enviou carta ao presidente do Conselho, Charles Michel - Attila KISBENEDEK / AFP
Viktor Orbán enviou carta ao presidente do Conselho, Charles Michel Imagem: Attila KISBENEDEK / AFP

24/05/2022 16h20

Bruxelas, 24 Mai 2022 (AFP) - Os líderes presentes na cúpula europeia prevista para a próxima semana não devem discutir um embargo ao petróleo russo, já que é "muito pouco provável" que a Hungria abandone sua oposição, disse o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban em uma carta à qual a AFP teve acesso.

"Dada a gravidade dos problemas pendentes restantes, é muito pouco provável que uma solução integral possa ser encontrada antes da reunião especial do Conselho Europeu de 30 a 31 de maio", escreveu Orban ao presidente do Conselho, Charles Michel.

"Estou convencido de que discutir o pacote de sanções no nível de líderes na ausência de um consenso seria contraproducente", afirmou o líder húngaro em sua carta, datada de segunda-feira (23).

Nesta terça-feira, decretou um novo estado de emergência nacional alegando a necessidade de enfrentar as consequências da guerra na Ucrânia.

A Comissão Europeia propôs um sexto pacote de sanções à Rússia pela guerra na Ucrânia, o qual contempla um embargo total e gradual ao petróleo russo, mas a ideia foi frustrada pela oposição húngara, que afirmou que tal medida ameaça sua segurança energética.

O plano da Comissão contemplava inclusive a possibilidade de conceder à Hungria mais tempo para adaptar suas infraestruturas, de modo a poder prescindir do petróleo russo, mas o governo de Orban não aceita as garantias oferecidas.

Diante desse cenário, foram abertas negociações febris para convencer a Hungria a aderir à ideia do embargo, embora a carta de Orban mostre que um eventual acordo ainda está muito distante.

Em sua carta a Michel, Orban lembrou que os líderes europeus concordaram, em uma cúpula de março em Versalhes, em iniciar a marcha para a independência europeia dos hidrocarbonetos vindos da Rússia.

No entanto, destacou Orban, "a proposta da Comissão em sua forma atual vai muito além do consenso alcançado em Versalhes".

Caso as sanções propostas sejam adotadas, "causariam imediatamente grandes problemas no abastecimento na Hungria e minariam nossos interesses vitais em matéria de segurança", afirmou.

A Hungria, segundo ele, "não está em uma posição de concordar com o 6º pacote de sanções, até que as negociações consigam resolver as questões pendentes".

A chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressou nesta terça-feira em uma entrevista sua esperança de conquistar o apoio ao embargo do petróleo em questão de "dias".

A França ocupa atualmente a presidência da UE. Um funcionário do gabinete do presidente Emmanuel Macron disse à imprensa que ainda há tempo para mudar o veto efetivo da Hungria sobre o pacote de sanções antes que os líderes se reúnam na segunda-feira. "Há diferentes opções sobre a mesa", afirmou.

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