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1 mês

Milhares de iranianos se despedem de coronel da Guarda Revolucionária assassinado

24/05/2022 09h20

Teerã, 24 Mai 2022 (AFP) - Milhares de iranianos prestaram nesta terça-feira (24) uma última homenagem ao oficial da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, que foi assassinado em Teerã em um ataque sem precedentes desde novembro de 2020.

O coronel Sayyad Khodai foi morto a tiros no domingo por dois motoristas no leste de Teerã, segundo fontes oficiais.

Seu funeral começou esta manhã na Praça Imam Hussein, no centro de Teerã, com o hino nacional, leituras do Alcorão e canções religiosas em homenagem aos "mártires" iranianos na Síria.

Mais tarde, a multidão acompanhou o veículo militar carregando seu caixão, coberto por uma bandeira iraniana, até a praça Shohada, perto de onde Khodai foi baleado cinco vezes.

Os participantes agitaram bandeiras xiitas, mas também fotos de soldados iranianos mortos no vizinho Iraque, onde o Irã exerce grande influência, e na Síria, bem como de combatentes da guerra Irã-Iraque de 1980-1988.

"Morte à América" e "Morte a Israel", gritavam pelo caminho.

O chefe da Guarda Revolucionária, general Hossein Salami, e o general de brigada Esmail Qaani, comandante da Força Qods, compareceram ao funeral.

O Estado-Maior Conjunto iraniano anunciou na segunda-feira a abertura de uma investigação sobre as "circunstâncias exatas do assassinato" de Khodai.

"Não tenho dúvidas de que o sangue deste mártir será vingado", declarou o presidente iraniano, Ebrahim Raisi, após seu assassinato.

Khodai será enterrado na parte destinada aos mártires do cemitério Behesht-e Zahra, no sul de Teerã.

O militar é a figura mais importante cujo assassinato é anunciado por Teerã desde a morte do físico nuclear Mohsen Fakhrizadeh em novembro de 2020, em um ataque atribuído a Israel.

O cientista nuclear foi apresentado como vice-ministro da Defesa e diretor da Organização de Pesquisa e Inovação em Defesa (Sepand), que contribuiu para a "defesa antiatômica" do país.

A Guarda Revolucionária chamou Khodai de "defensor do santuário" e denunciou a morte como um "ato terrorista".

O termo "defensor do santuário" designa qualquer pessoa que trabalhe em nome da República Islâmica na Síria e no Iraque, países que abrigam locais de culto xiita.

A morte de Khodai acontece em um momento em que o Irã negocia há mais de um ano com as potências mundiais para reviver o acordo internacional de 2015 para limitar seu programa nuclear, depois da retirada unilateral dos Estados Unidos em 2018 do pacto.

As negociações estão paralisadas há dois meses.

Um dos obstáculos ao acordo é a exigência do Irã de que os Estados Unidos retirem a Guarda Revolucionária da lista americana de "organizações terroristas estrangeiras".

ap/kam/tp/meb/zm/mr