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Coreia do Norte lança suposto míssil intercontinental, diz Coreia do Sul

Mulher assiste a uma TV transmitindo reportagem sobre lançamento de três mísseis pela Coreia do Norte - REUTERS/Kim Hong-Ji
Mulher assiste a uma TV transmitindo reportagem sobre lançamento de três mísseis pela Coreia do Norte Imagem: REUTERS/Kim Hong-Ji

25/05/2022 06h16

A Coreia do Norte testou um suposto míssil intercontinental em uma série de três disparos nesta quarta-feira (25), informou o exército da Coreia do Sul, após o encerramento da viagem a Coreia do Sul e Japão do presidente americano, Joe Biden.

O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul informou que foram lançados pelo menos três mísseis a partir da região de Sunan, na capital norte-coreana Pyongyang, de onde foi executada grande parte dos últimos testes armamentistas do país comunista.

O teste militar aconteceu pouco depois do fim da visita do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ao Japão e Coreia do Sul, uma viagem ofuscada pela ameaça de um teste nuclear do regime de Pyongyang.

Um porta-voz da diplomacia americana condenou "os múltiplos lançamentos" e pediu que a Coreia do Norte "abstenha-se de novas provocações e assuma o compromisso com um diálogo sustentado e profundo.

Após os novos lançamentos, Coreia do Sul e Estados Unidos dispararam "mísseis terra-terra" em resposta ao "suposto ICBM (míssil balístico intercontinental) e às provocações de mísseis" da Coreia do Norte, informou o exército de Seul.

O governo sul-coreano, após uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, afirmou que o lançamento "bem-sucedido" dos projéteis foi "um ato ilegal em violação direta das resoluções do Conselho de Segurança da ONU".

O novo presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, disse que os disparos de Pyongyang, que se aproximam de 20 desde o início do ano, são "uma grave provocação que ameaça a paz na península coreana e na comunidade internacional".

O Estado-maior Conjunto da Coreia do Sul informou em um comunicado que "havia detectado por volta das 6h00 (locais, 18h00 de Brasília na terça-feira), 6h37 e 6h42 os disparos de mísseis balísticos da região de Sunan" em direção ao Mar do Japão, na costa leste.

"O primeiro míssil balístico (um suposto ICBM) teve alcance de 360 quilômetros e uma altitude de 540 quilômetros", afirma a nota.

O segundo projétil "desapareceu a uma altitude de 20 km" e o terceiro viajou 760 km a uma altitud de quase 60 km, acrecenta o comunicado.

Estados Unidos "preparados"

Os disparos se somam a uma série recorde de testes militares de Pyongyang este ano, que inclui o lançamento de um míssil balístico intercontinental de pleno alcance pela primeira vez desde 2017.

Yoon, que assumiu a presidência este mês, defendeu endurecer a política de Seul para o vizinho comunista do Norte após cinco anos de diplomacia sem resultados de seu antecessor, Moon Jae-in.

Os testes desta quarta-feira "claramente foram programados para acontecer no retorno de Biden, depois de sua visita a Coreia do Sul e Japão", comentou Park Won-gon, professor da Universidade Ewha.

Durante sua estadia em Seul, Biden e Yoon Suk-yeol concordaram em "estabelecer conversações para ampliar o alcance e a escala dos exercícios e treinamentos militares conjuntos diante da ameaça que representa a Coreia do Norte.

"As objeções da Coreia do Norte aos anúncios foram expressadas com os lançamentos de mísseis", acrescentou o professor Park.

Antes de se despedir no domingo da capital sul-coreana com destino ao Japão, de onde retornou na terça-feira a Washington, Biden afirmou que os Estados Unidos estavam "preparados para qualquer coisa que a Coreia do Norte fizer".

Pyongyang considera os exercícios militares conjuntos de Washington e Seul como preparativos para uma invasão.

Nos últimos meses, o líder norte-coreano Kim Jong Un defendeu em várias ocasiões acelerar o programa para modernizar seu exército e seu arsenal, dotado de armas nucleares.

Apesar do forte surto de covid registrado recentemente no país empobrecido e isolado, novas imagens de satélite mostraram que a Coreia do Norte havia reativado a construção de um reator nuclear.

Tanto a Coreia do Sul quanto os Estados Unidos alertaram recentemente que o país comunista, submetido a sanções internacionais por seu programa de armas e nuclear, preparava um novo teste atômico.

Antes da visita de Biden, a Coreia do Sul afirmou que os preparativos tinham sido concluídos e que Pyongyang só estava esperando o momento adequado para realizá-lo.

O ministro sul-coreano das Relações Exteriores, Park Jin, e o secretário de Estado americano, Antony Blinken, afirmaram que é "lamentável" que Pyongyang utilize seus recursos para o desenvolvimento armamentista, e não para tratar a pandemia e melhorar a vida da população.

De acordo com a imprensa estatal norte-coreana, o país registrou mais de três milhões de pessoas com "febre" e 68 mortes desde a explosão do surto de covid no fim de abril.

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