PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
1 mês

Em Mykolaiv, ucranianos sofrem com a falta de água

25/05/2022 10h55

Mykolaiv, Ucrânia, 25 Mai 2022 (AFP) - O som da artilharia e as sirenes de alerta de bombardeios são constantes, mas Anna Bondar espera pacientemente sua vez para levar água potável para sua casa em Mykolaiv, no sul da Ucrânia.

Com o marido doente, esta senhora de 79 anos passa entre duas e três horas por dia carregando água. "Estou muito cansada", confessa.

As viagens podem ser ainda mais cansativas à medida que o verão se aproxima no sul da Ucrânia e as temperaturas aumentam.

Desde que os combates inutilizaram um aqueduto em abril, os moradores vão a pé, de carro ou de bicicleta em busca de caminhões-tanque, nesta cidade localizada a poucos quilômetros dos territórios controlados pelo exército russo.

A escassez de água nada mais é do que a enésima dificuldade de um cotidiano totalmente perturbado desde a invasão russa em 24 de fevereiro.

Nesta cidade, que antes da guerra tinha meio milhão de habitantes, e em outras partes da Ucrânia, carros fazem fila por horas em postos de gasolina, enquanto os ataques russos bloqueiam refinarias, interrompendo o abastecimento em todo o país.

Muitas lojas e empresas permanecem fechadas e as aulas agora são apenas online.

- Problemas técnicos -As autoridades militares da cidade estimam que ainda levará "pelo menos um mês" até que o acesso à água da torneira seja restaurado.

"Estamos tentando resolver o problema" o mais rápido possível, disse à AFP o capitão Dmytro Pletentchuk, da administração militar regional de Mykolaiv.

"Este é um processo que leva tempo, e envolve a resolução de inúmeros problemas técnicos, em especial de perfuração de poços e tratamento de água", detalha.

Enquanto isso, os moradores são obrigados a comprar água engarrafada, uma grande despesa para quem está sem renda há vários meses devido à guerra.

"Às vezes venho aqui em dias alternados, às vezes duas vezes por dia", diz Viktor Odnoutov, aposentado de 69 anos. "É assustador, tanto moral quanto fisicamente. Graças a Deus posso carregar cerca de 20 litros. Mas quando minhas costas doem, não consigo carregar nem uma garrafa de cinco litros", conta.

Volodimyr Pobedinski, de 82 anos, afirma que muitas vezes sai sozinho para buscar água, que ele usa principalmente para preparar "borchtch", a típica sopa ucraniana à base de beterraba.

"Não tenho medo do calor. Meu corpo está acostumado", assegura, admitindo que descobrir que ainda é capaz de carregar água foi uma surpresa agradável, enquanto ver tropas cruzando a fronteira ucraniana é um verdadeiro choque para esse nativo russo.

"Isso me deixa muito triste", diz à AFP, lembrando das muitas viagens que ele e sua esposa fizeram para visitar familiares e amigos na Rússia. "Costumávamos ajudar nossos pais e cuidar do jardim deles. Mas agora não podemos nem ir lá cuidar de seus túmulos", lamenta.

ds/rbj/pop/ob/mab/zm/mb/mr