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Com desejo de mudanças, Petro coloca aliança entre Colômbia e EUA à prova

Gustavo Petro, presidente eleito da Colômbia - Jaime Saldarriaga/Reuters
Gustavo Petro, presidente eleito da Colômbia Imagem: Jaime Saldarriaga/Reuters

AFP, Washington

24/06/2022 12h18

A vitória do esquerdista Gustavo Petro causou um abalo político na Colômbia, com possíveis efeitos sobre a aliança com os Estados Unidos, estimam especialistas.

A eleição de Petro "pode criar tensões na relação" entre os dois países, afirmou à AFP Benjamin Gedan, do Programa Latino-americano do centro de estudos Woodrow Wilson International Center for Scholars.

Petro chega com intenção de mudanças: rejeita a política antidrogas atual e quer renegociar o Tratado de Livre Comércio com Washington.

Também é partidário de eliminar gradualmente a produção de petróleo, uma indústria com fortes vínculos com os Estados Unidos, justo quando Washington incita seus aliados a produzirem mais para conter a alta dos preços dos combustíveis decorrente da invasão russa à Ucrânia.

Apesar de se distanciar das esquerdas mais radicais da Nicarágua e Venezuela, Petro simpatiza com "o progressismo" do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e do chileno Gabriel Boric, e prometeu normalizar as relações com o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Isto pode afetar "os esforços dos Estados Unidos para isolar o regime" de Maduro, a quem não reconhece como presidente por considerar fraudulenta sua reeleição em 2018, afirma Gedan.

Quando assumir o cargo, em 7 de agosto, Petro pretende abrir a fronteira com a Venezuela, enquanto o país já acolhe mais de 1,8 milhão de migrantes e refugiados venezuelanos.

'Muito amigável'

O futuro do vínculo depende "da busca por pontos de interesse em comum", declarou à AFP Jason Marczak, diretor do Centro Adrienne Arsht para a América Latina.

"Com certeza o governo de Gustavo Petro adotará políticas internacionais diferentes das atuais, mas essa é a mudança que o povo colombiano deseja", afirma.

"Muito amigável", foi como Petro descreveu a primeira conversa por telefone com Biden, que segundo ele, prometeu "uma relação mais igualitária".

"Agora é o momento" do governo americano "desempenhar o papel (...) de um verdadeiro aliado", estimou Carolina Jiménez Sandoval, presidente do Escritório de Washington para América Latina.

Washington deve ser "mais generoso financeiramente" com o pacto de paz firmado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), desmobilizadas em 2016, apoiado por Biden enquanto vice de Barack Obama.

Sandoval também recomenda uma mudança na política antidrogas, "com ações além da erradicação de cultivos".

Depois de décadas de luta contra as plantações, a Colômbia continua sendo o maior produtor mundial de coca e os Estados Unidos o principal consumidor.

O ponto de maior convergência das agendas de Biden e Petro talvez seja a luta contra a mudança climática.

Petro pede um "diálogo" sobre a crise, colocando sobre a mesa os gases de efeito estufa produzidos pelos EUA, "como quase nenhum outro país", os quais a floresta amazônia absorve como uma esponja.

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