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Governo do Equador suspende negociações com líder dos protestos indígenas

12.abril.2021 - Conservador, Guillermo Lasso, presidente do Equador - REUTERS / Luisa Gonzalez
12.abril.2021 - Conservador, Guillermo Lasso, presidente do Equador Imagem: REUTERS / Luisa Gonzalez

Da AFP

28/06/2022 19h33Atualizada em 28/06/2022 20h51

O presidente do Equador, Guillermo Lasso, suspendeu nesta terça-feira (28) as negociações com o principal líder indígena para pôr fim a duas semanas de protestos contra o alto custo de vida, após um ataque contra militares que matou um soldado.

"Não vamos nos sentar para conversar com Leonidas Iza novamente, que só defende seus interesses políticos e não os de suas bases (...) Não vamos negociar com quem mantém o Equador refém", declarou o presidente de direita.

A poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), chefiada por Iza, respondeu acusando Lasso de "autoritarismo, falta de vontade e incapacidade" e disse que ele terá que responder pelas "consequências de sua política belicista".

Durante a madrugada, um grupo de militares e policiais que protegiam um comboio com combustíveis foi atacado por manifestantes com "lanças e armas de fogo" na Amazônia, segundo autoridades.

O ataque deixou um militar morto e doze feridos, incluindo cinco policiais.

Um segundo dia de diálogos entre a Conaie e uma delegação do Executivo liderada pelo ministro de Governo (Casa Civil), Francisco Jiménez, fracassou quando a representação oficial não se apresentou.

"Vocês merecem mais que um oportunista como líder (...) É um ato criminoso brincar com a vida de inocentes. O país é testemunha de todos os esforços que fizemos para estabelecer um diálogo frutífero e sincero", acrescentou Lasso, um ex-banqueiro que assumiu o poder há um ano.

"Foi um ataque brutal (...) Mas como podemos saber se realmente saiu ou não saiu dos manifestantes", questionou-se Iza.

Concessões insuficientes

Após o anúncio de Lasso, centenas de indígenas voltaram à carga em Quito. O comércio fechava as portas enquanto passavam.

"Lasso não rompe com Leonidas, rompe com o povo", escreveu a Conaie no Twitter.

Os indígenas e o governo mantêm uma queda de braço há mais de duas semanas, sem chegar a acordos para desmontar a crise.

O elevado custo de vida alimentado pelo aumento dos preços dos combustíveis levou às ruas desde 13 de junho cerca de 14 mil manifestantes às ruas, a maioria em Quito. Eles exigem medidas que aliviem o golpe econômico na produção agrícola e na cesta básica.

Marchas festivas, bloqueios de estradas, e confrontos violentos entre a força pública e os indígenas pressionam o impopular presidente Lasso, que tem apenas 17% de aprovação.

Encurralado também por um debate sobre seu impeachment que está em andamento no Congresso, o conservador cede aos poucos às reivindicações dos manifestantes, que consideram insuficientes.

Ele reduziu os preços dos combustíveis, embora não na proporção pedida pelos manifestantes; concedeu uma moratória para dívidas de até US$ 3.000 para os camponeses e levantou o estado de exceção, sob o qual os militares deixaram os quartéis em seis das 24 províncias do país e foi imposto um toque de recolher em Quito.

"Tentativa de golpe"

Em meio à convulsão social, o Parlamento discute desde sábado a possibilidade de destituir o presidente, a quem um setor da oposição considera responsável da "grave crise política e comoção interna" que o Equador vive.

Mais de 80 deputados participavam nesta terça-feira no terceiro dia de deliberação, que poderia se estender. Após o debate, têm até 72 horas para votar.

Para se destituir o presidente, precisa-se de 92 dos 137 apoios possíveis no Congresso.

A oposição quer "atacar a democracia (...) Faço um apelo a defender o país desta tentativa de golpe", declarou Lasso em um vídeo publicado na terça-feira no Twitter.

O Equador ganhou fama de ingovernável após a saída abrupta de três presidentes entre 1997 e 2005 ante a pressão social.

O país, cuja economia dolarizada começava a se recuperar dos efeitos da pandemia, perde cerca de US$ 50 milhões diários com as crises, segundo números oficiais.

À margem do ataque de terça-feira, cinco manifestantes morreram nos protestos e mais de 500 pessoas, entre membros das forças de ordem e civis, ficaram feridos, segundo diversas fontes. A Conaie denuncia a repressão policial.

Desgastada pela crise, com comércios fechados e desabastecimento de alguns produtos, Quito também é palco de contraprotestos.

Centenas de equatorianos e carreatas percorrem diariamente áreas abastadas, com buzinaços e acenando bandeiras brancas.

Sem maior apoio político, Lasso conta agora com o dos militares, que cerraram fileiras em torno de seu governo.

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