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Manifestantes e governo iniciam diálogo sem horizonte claro no Equador

28/06/2022 06h05

Quito, 28 Jun 2022 (AFP) - Líderes indígenas e do governo do Equador participaram na segunda-feira do primeiro diálogo após duas semanas de protestos sociais, sem alcançar acordos claros que permitam encerrar os grandes protestos contra o elevado custo de vida.

Dirigentes da influente Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), incluindo seu presidente, Leonidas Iza, se reuniram durante mais de seis horas com uma delegação oficial liderada pelo ministro de Governo, Francisco Jiménez.

"Sabemos que o Equador não se constrói com socos e pontapés, mas com os consensos que são possíveis sem condenar o Estado à ineficiência ou à falência", disse o chefe da pasta durante o encontro transmitido nas redes sociais.

Após uma extensa negociação que não teve êxito, as partes programaram a continuidade do diálogo para a manhã de terça-feira.

"Precisamos de uma política que possa beneficiar os pobres", declarou Iza, líder dos protestos.

Os diálogos aconteceram na Basílica do Voto Nacional de Quito, na presença de representantes da Igreja, do Congresso e outras instituições e organizações, com uma agenda de dez pontos.

Quase 14.000 pessoas protestam no Equador desde 13 de junho com uma série de demandas e um destaque: reduzir os preços dos combustíveis, que encareceram os fretes nas regiões agrícolas e provocaram prejuízos aos agricultores.

Na segunda-feira, os protestos aconteceram no centro da capital, a 200 metros da sede da presidência, que permanece protegida com cercas, alambrados e policiais.

O movimento indígena e o governo anunciaram um encontro preliminar no sábado, mas não foram revelados detalhes

O presidente de direita Guillermo Lasso, que testou positivo para covid-19 na semana passada, não participou em nenhuma reunião.

Vários manifestantes defendem a destituição do presidente.

Em uma demonstração da vontade de dialogar no domingo, Lasso reduziu em 10 centavos de dólar as tarifas da gasolina comum e do diesel, mas os indígenas pedem uma redução de 40 centavos.

Iza insistiu nesta condição e alertou o ministro Jiménez durante a negociação de segunda-feira: "Seria importante que você consultasse o presidente da República. Não temos problemas em passar nos dias necessários, com nossos camaradas, marchando pacificamente na cidade de Quito e certamente no restante das cidades do Equador".

Enquanto isso, o Parlamento debate desde sábado a possibilidade de destituir o presidente, considerado por alguns o responsável pela "grave crise política e agitação interna" que o país vive.

Os bloqueios de vias e a tomada de mais de 1.100 poços colocam em xeque o petróleo, principal produto de exportação do país. Se os protestos seguirem, o Equador pode deixar de produzi-lo em 24 horas, segundo o governo.

bur-lv/ag/fp