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1 mês

Rússia anuncia retirada de ilha estratégica ucraniana no Mar Negro

30/06/2022 10h33

Kiev, Ucrânia, 30 Jun 2022 (AFP) - O exército russo anunciou nesta quinta-feira (30) sua retirada da Ilha das Serpentes, uma posição estratégica no Mar Negro conquistada por Moscou, no dia de encerramento da reunião de cúpula da Otan em Madri que teve a invasão da Ucrânia como tema principal.

O ministério russo da Defesa chamou a retirada de "sinal de boa vontade", para demonstrar que o país não interfere nos esforços da ONU para organizar exportações seguras dos cereais ucranianos.

Em Kiev, a retirada foi celebrada como uma vitória.

"Agradeço aos defensores da região de Odessa que fizeram todo o possível para libertar um território estrategicamente importante", disse o comandante das Forças Armadas ucranianas, Valeriy Zaluzhny.

Para o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, a retirada mostra que será "impossível" para a Rússia dominar a Ucrânia.

Desde o início da ofensiva russa, a pequena Ilha das Serpentes virou um símbolo da resistência ucraniana depois que um grupo de guardas ucranianos que a defendiam rejeitou, em uma mensagem de rádio, a ordem de rendição apresentada por um navio russo.

Também era um objetivo estratégico, localizado a cerca de 50 km da foz do Danúbio, um dos principais rios da Europa e importante rota comercial, e a pouco mais de 100 quilômetros do porto ucraniano de Odessa.

- Exportações de grãos -Em período de paz, a Ucrânia era um dos maiores exportadores de grãos do mundo, mas a invasão russa destruiu plantações e bloqueou os portos, o que provoca o temor de uma crise alimentar mundial.

Os países ocidentais acusam o presidente russo Vladimir Putin de usar a situação para aumentar a pressão contra a comunidade internacional.

Nesta quinta-feira, um primeiro navio de carga com 7.000 toneladas de cereais, escoltado pela Marinha russa, zarpou do porto ucraniano de Berdyansk, ocupado pelas forças de Moscou, anunciaram as autoridades pró-Rússia designadas pelo Kremlin.

O chefe da administração pró-Rússia da região, Evgeny Balitski, disse que a "segurança do navio de carga está garantida pelos navios e barcos de patrulha da base marítima militar da Frota do Mar Negro em Novorossiisk".

O ministério da Defesa da Rússia anunciou que tem mais de 6.000 prisioneiros de guerra ucranianos e confirmou que Kiev e Moscou trocaram, na quarta-feira, 144 prisioneiros, como já havia anunciado o governo ucraniano.

- Apoio da Otan -O conflito na Ucrânia foi o principal tema da reunião de cúpula da Otan, que termina nesta quinta-feira em Madri, durante a qual os países membros da organização afirmaram que a Rússia representa uma "ameaça direta" para a segurança dos aliados.

A Aliança Atlântica convidou oficialmente Suécia e Finlândia para entrar no bloco. Os dois países decidiram abandonar sua tradicional neutralidade militar depois que a Rússia invadiu a Ucrânia.

O presidente russo denunciou as "ambições imperiais" da Otan, que busca, segundo ele, afirmar sua "hegemonia" sob o pretexto da Ucrânia.

Nesta quinta-feira, o chanceler alemão, Olaf Scholz, chamou as acusações de Moscou sobre imperialismo de "ridículas" e recordou que a Otan é uma "aliança de defesa. Não é uma ameaça para ninguém".

A reunião de cúpula de Madri registrou vários anúncios de ajuda para a Ucrânia, depois que seu presidente, Volodymyr Zelensky, pediu equipamentos modernos e apoio econômico.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu que o país e seus aliados apoiarão a Ucrânia "o tempo que for necessário.

De acordo com dados divulgados pela ONU, quase 16 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e mais de seis milhões permanecem deslocados dentro dopaís.

bur-al/es/mis/fp