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1 mês

Romênia aposta no gás do Mar Negro para independência energética da Rússia

03/07/2022 11h56

Vadu, Romênia, 3 Jul 2022 (AFP) - Na cidade de Vadu, no sudeste da Romênia, o precioso gás extraído do Mar Negro passa por um labirinto de novos oleodutos, alimentando esperanças de se libertar do gás russo.

O gás flui através de plataformas offshore, apesar da presença de minas e navios de guerra destacar o conflito na vizinha Ucrânia, mostrando a determinação da Romênia em acabar com sua dependência das importações da Rússia.

"A Romênia dá um passo decisivo para garantir sua segurança energética (...) em um momento em que o fornecimento de gás está ameaçado pela guerra na Ucrânia", disse na terça-feira o primeiro-ministro Nicolae Ciuca na inauguração de uma usina de processamento de petróleo da Black Sea Oil & Gas (BSOG).

Apesar de a Romênia ter importantes reservas em terra e no mar, durante o inverno precisa recorrer à Rússia para cobrir cerca de 20% do seu consumo.

Esta companhia apoiada pela americana Carlyle Group LP e pelo Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) começou há duas semanas a explorar depósitos submarinos.

Desta plataforma, que custou milhões de dólares, são extraídos cerca de três milhões de metros cúbicos por dia. A meta é chegar a 1 bilhão de metros cúbicos por ano em uma década.

"Hoje enfrentamos uma emergência em termos de abastecimento. Temos que colocar os velhos fantasmas no armário e começar a produzir localmente", disse Thierry Bros, especialista em energia e clima da escola Sciences Po, na França.

"Temos que relançar os projetos no Mar Negro, relançar o crescimento da produção na Noruega, no Reino Unido devemos considerar o lançamento do gás de xisto e na França o gás de minas", explicou à AFP.

Em Vadu, o presidente-executivo da BSOG, Mark Beacom, disse esperar que essa infraestrutura de última geração também possa ser usada para futuros projetos de gás ou energia renovável no Mar Negro.

Mas a invasão contra a Ucrânia lançada pela Rússia complicou a situação.

"Não estamos em uma zona de guerra, mas estamos perto o suficiente para que isso claramente tenha um impacto", explicou.

O executivo disse que detectaram minas perto da plataforma, viram navios de guerra navegarem perto, bem como aviões.

BSOG tem duas concessões a cerca de 120 quilômetros da costa romena, parte das quais Bucareste recuperou ironicamente em 2009 após uma disputa com a Ucrânia perante a Corte Internacional de Justiça em Haia.

A Romênia estima suas reservas de gás 'offshore' em 200 bilhões de metros cúbicos, mas os investidores estão cautelosos.

Após anos de burocracia, o Parlamento finalmente alterou em maio uma lei que impedia investimentos em plataformas offshore, o que levou a empresa ExxonMobil a desistir de um projeto, apesar de um investimento de quase 2 bilhões de dólares.

"Se queremos vencer os russos, precisamos de energia", disse Bros, alertando que o tempo em que a energia era "garantida" na Europa pode ter acabado.

mr-ii/lth/rl/an/eg/mr

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