PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Conteúdo publicado há
1 mês

Inspirados pela Ucrânia, civis simulam combates urbanos em Taiwan

Taiwan - ANN WANG/REUTERS
Taiwan Imagem: ANN WANG/REUTERS

07/07/2022 11h14Atualizada em 07/07/2022 11h26

Nova Taipé, Taiwan, 7 Jul 2022 (AFP) - Vestido com roupas militares camufladas e com um rifle de assalto na mão, "Prof" Yeh, se esconde atrás de um veículo em um estacionamento nos arredores de Taipei, e procura um sinal para prosseguir.

Yeh trabalha em marketing e sua arma é uma réplica, mas ele passou o fim de semana em um treinamento de guerra urbana, uma preparação para uma eventual invasão chinesa.

"A guerra Rússia-Ucrânia é uma grande motivação para vir a este treinamento", disse Yeh, 47 anos, cujo nome " de guerra" é "Prof".

Quando o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou que suas tropas invadissem a Ucrânia em fevereiro, deu forma aos medos mais sombrios de muitos taiwaneses.

A ilha autônoma democrática vive sob constante ameaça da China autocrática, que a vê como parte de seu território e prometeu conquistá-la.

- "Sensação de crise" - Mas a preocupação com a China existia em Taiwan muito antes da invasão russa.

Max Chiang, presidente da empresa que organiza os treinamentos, disse que houve um "aumento da sensação de crise" entre os taiwaneses desde 2020, quando aviões chineses começaram o espaço aéreo da ilha.

Cerca de 380 ataques foram registrados naquele ano, um número que mais que dobrou em 2021, e pode aumentar novamente este ano, segundo um banco de dados da AFP.

A China supera Taiwan militarmente, com mais de um milhão de soldados contra 88.000 de Taiwan; 6.300 tanques contra 800 e 1.600 caças contra 400, segundo o Departamento de Defesa dos EUA.

No entanto, a Ucrânia forneceu um modelo prático sobre como tornar essa disparidade menos importante. Kiev mostrou que lutar pelo controle das cidades pode ser difícil e caro para as forças de ataque, e a maioria dos 23 milhões de habitantes de Taiwan vive em áreas urbanas.

- População decidida - Em um armazém ao lado de um estacionamento, Ruth Lam, de 34 anos, aprende a atirar com uma arma de fogo pela primeira vez.

Ela espera proteger sua família em caso de guerra, e planeja continuar praticando tiro ao alvo com seus amigos. "Prepare seu guarda-chuva antes que chova", disse.

Em uma pesquisa realizada em maio, 61,4% dos consultados afirmaram estar dispostos a pegar em armas em caso de invasão.

"A disposição do povo ucraniano de lutar contra os agressores aumentou a determinação dos taiwaneses de proteger sua pátria", disse Chen Kuan-ting, presidente do think tank NextGen Foundation, à AFP.

Lin Ping-yu, ex-paraquedista, se inscreveu no curso de guerra urbana "para aprimorar suas habilidades de combate".

"Somente quando o povo de um país tem vontade e determinação de proteger seu território é que pode convencer a comunidade internacional a ajudá-lo", disse Lin, 38 anos.

Yeh acha que é apenas uma questão de tempo até que eles sejam chamados a usar suas novas habilidades.

Citando o exemplo de Hong Kong, onde Pequim consolidou seu domínio nos últimos anos, ele diz simplesmente que "Taiwan é a próxima".

Internacional