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Venezuela emite mandado de prisão contra jornalista por 'apologia ao magnicídio'

Jornalista Carla Angola teria instigado a perpetração do assassinato de presidente venezuelano - EPA
Jornalista Carla Angola teria instigado a perpetração do assassinato de presidente venezuelano Imagem: EPA

04/08/2022 18h40

A Venezuela emitiu um mandado de prisão contra a jornalista Carla Angola, uma crítica do governo do presidente Nicolás Maduro que vive me Miami, por "apologia ao magnicídio", informou o procurador-geral, Tarek William Saab, na quinta-feira.

"O Ministério Público solicitou o mandado de prisão contra esta senhora pelo suposto cometimento do crime de apologia ao crime de magnicídio", afirmou o Saab. "Ela instigou a perpetração do assassinato do Presidente da República".

o caso contra Angola, de 46 anos, foi aberta após a transmissão, na segunda-feira (1º), do programa de opinião que ela apresenta na emissora EVTV, com programação voltada aos migrantes venezuelanos nos Estados Unidos.

"Os Estados Unidos enviam um drone e desaparecem com este homem", disse Angola, referindo-se à morte do egípcio Ayman al-Zawahiri, chefe da Al-Qaeda, no sábado, num ataque americano em Cabul, Afeganistão.

"E o que é que o venezuelano diz nas redes sociais? Por que não fazem o mesmo com Maduro? E aqui obviamente não estamos fazendo apologia ao seu assassinato, mas é uma pergunta válida", comentou a jornalista com um entrevistado.

"Ela disse como se fosse uma piada", criticou Saab. "Isso é puro e simplesmente uma apologia ao crime de magnicídio".

Angola, na EVTV, reagiu ao mandado de prisão, que chamou de "exercício de terrorismo de Estado por parte do regime de Maduro e seu procurador".

Antes de migrar aos Estados Unidos, Angola apresentava outro programa de opinião no canal de notícias Globovisión, que foi uma trincheira para a oposição do governo até sua venda, em 2013, paraa um empresário próximo do chavismo. Após a mudança de comando no grupo, Angola e outros jornalistas pediram demissão.

A Venezuela tem um dos piores índices internacionais de liberdade de imprensa, em um contexto de alta autocensura para evitar sanções administrativas que poderiam levar ao fechamento dos veículos privados que ainda restam.

A RCTV, emissora de televisão emblemática e crítica do chavismo, fechou em 2007 depois de ter a prorrogação de sua concessão rejeitada.

O grupo proprietário do Últimas Noticias, jornal de maior circulação do país, também foi vendido em 2013 e o jornal centenário El Universal um ano depois. Ambos suavizaram a linha editorial depois de mudar de proprietário.

Saab anunciou também uma investigação contra o marido de Carla Angola por uma disputa pela titularidade de uma propriedade em Caracas.

jt/erc/yow/ap/am

© Agence France-Presse

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