Justiça ordena prisão de autoridades do Parlamento simbólico da Venezuela
Um tribunal venezuelano determinou a captura de três integrantes da nova direção do Parlamento simbólico, eleito em 2015, cuja continuidade a oposição defende, em meio a uma intensa disputa interna que desbancou o líder Juan Guaidó.
Uma corte penal de Caracas informou, na noite de sábado, sobre a ordem de prisão contra Dinorah Figuera, que substituiu Guaidó na presidência desta Assembleia Nacional, que é reconhecida pelos Estados Unidos e outras dezenas de países como a última instituição democraticamente eleita na Venezuela.
Também foi ordenada a captura de sua primeira e segunda vice-presidente, Marianela Fernández e Auristela Vásquez.
Na prática, as detenções não poderão ser executadas, pois as três moram no exterior: Figuera e Vásquez na Espanha e Fernández nos Estados Unidos.
Elas são acusadas de "usurpação de funções, traição da pátria, associação criminosa e legitimação de capitais, em virtude de sua participação em atos irregulares relacionados com a nomeação fictícia de uma Junta Diretora de uma suposta Assembleia Nacional ilegítima, para o roubo de ativos venezuelanos no exterior", informou pelo Twitter o Circuito Judicial Penal de Caracas.
"Na Assembleia Nacional legítima, considera-se esta ação como uma violação de todo o processo e mais um atentado contra os direitos humanos na Venezuela", ressaltou a entidade em nota neste domingo.
"Fazemos um apelo à comunidade democrática nacional e aos governos democráticos do mundo para erguerem sua voz e se pronunciar diante desta investida feroz do regime de Nicolás Maduro", acrescentou.
Uma maioria dentro da oposição nomeou Figuera em 5 de janeiro para liderar este Parlamento, desbancando Guaidó e pondo fim à figura de "governo interino" que este dirigente encabeçou nos últimos quatro anos, mas nunca com um poder real.
Essa maioria eliminou a "presidência interina", mas não a Assembleia de 2015, cujo mandato expirou em 2021. Seus integrantes defendem sua continuidade, ao denunciar como uma "fraude" a vitória do chavismo no poder nas eleições parlamentares de 2020.
Os Estados Unidos deram um apoio a este fórum e disseram que respeitavam a decisão de afastar Guaidó, que era seu principal aliado.
Este ano, também, em meio a estes fortes enfrentamentos, a oposição pretende celebrar primárias para eleger um candidato único com vistas às próximas eleições presidenciais, previstas para 2024.
jt/ll/mvv/am
© Agence France-Presse
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