Artista urbano Obey, indignado com uso de obra por extrema direita francesa

Famoso pelo icônico cartaz de campanha do ex-presidente dos EUA Barack Obama com a inscrição "Hope", o artista de rua americano Shepard Fairey, também conhecido como Obey, ficou indignado ao ver uma de suas obras no gabinete do líder do partido de extrema direita francês Reagrupamento Nacional (RN).

"É um absurdo", disse à AFP o artista de 54 anos, que milita contra o racismo, em prol da defesa do meio ambiente e denuncia o imperialismo. Suas criações já correram o mundo e aparecem estampadas em camisetas, cartazes e adesivos.

Shepard Failey viu, em vídeo postado nas redes sociais no dia 13 de junho, uma serigrafia de sua obra, "Mariana" (símbolo da República Francesa), pendurada no gabinete de Jordan Bardella, presidente do RN e candidato do partido a primeiro-ministro nas eleições legislativas francesas que serão realizadas em 30 de junho e 7 de julho.

O RN é favorito após a vitória nas eleições europeias de junho, nas quais obteve cerca de 31% dos votos.

"É completamente absurdo. É tão ridículo que custo a acreditar", declarou o artista de rua durante a abertura da sua exposição, "Swang Song" (canto do cisne), na galeria Itinerance, em Paris, aberta até 15 de julho.

O desenho no escritório de Bardella mostra "Mariana" sobre um fundo com as cores da bandeira francesa e rodeada pelo lema nacional (Igualdade, Liberdade, Fraternidade).

Apesar da indignação, o artista não pensa em entrar com uma ação judicial, algo que não faria, também, se Donald Trump, ex-presidente dos EUA e candidato às eleições de novembro, utilizasse as suas obras.

"Donald Trump chegou aonde está porque recebeu muita atenção. Ele tem a mentalidade de um bebê irritado", disse Fairey com impaciência. "Se eu o processasse pelo uso de uma de minhas imagens, ele de alguma forma transformaria isso em uma vitória e diria que está sofrendo perseguição 'política'".

Personalidade da cena artística alternativa, Shepard Fairse continua criando murais por onde passa. Em seus 30 anos de carreira, pintou 135 afrescos e foi preso 18 vezes.

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Sua arte de rua é uma forma de "ficar ligado ao maior número de pessoas possível", para o que também utiliza suas redes sociais, onde tem mais de um milhão de seguidores.

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© Agence France-Presse

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