Autoridade Palestina insta diplomatas a se pronunciarem sobre condições de presos em Israel

A Autoridade Palestina instou os diplomatas, reunidos na Cisjordânia ocupada nesta quarta-feira (10), a se pronunciarem sobre as condições dos prisioneiros palestinos em Israel, o que classificou como "inaceitável" e contra os direitos humanos.

Varsen Aghabekian Shahin, ministra de Relações Exteriores da Autoridade Palestina, convidou diplomatas, na maioria europeus, e organizações internacionais para assistir a um vídeo de três minutos com depoimentos de palestinos presos em Israel.

As imagens e entrevistas a meios de comunicação denunciam que os presos sofrem maus tratos nas prisões de Israel e que há casos de tortura, uma acusação que as autoridades israelenses negam.

"Isso é inaceitável, vai contra todas as leis dos direitos humanos e deve cessar", declarou Shahin durante a reunião realizada em Ramallah, sede da Autoridade Palestina, que administra parcialmente a Cisjordânia ocupada.

As condições dos presos "nos preocupam muito, aos palestinos, e esperamos que ao mundo também", acrescentou.

O Ministério das Relações Exteriores, que citou dados de grupos de defesa dos direitos humanos, afirmou que há 9.600 palestinos presos em Israel.

As detenções durante operações militares israelenses na Cisjordânia se intensificaram desde que eclodiu a guerra em Gaza após o ataque do movimento islamista palestino Hamas de 7 de outubro.

As autoridades penitenciárias israelenses declararam "estado de exceção", o que permite o endurecimento das condições dos presos e a restrição das visitas às prisões.

De acordo com um relatório divulgado durante a reunião, 18 presos foram "assassinados" em prisões israelenses desde 7 de outubro.

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Qadura Fares, diretor da ONG Palestinian Prisoners Club, destacou a dificuldade para obter informação sobre os prisioneiros, incluindo os que foram presos em Gaza desde o início da guerra.

"Acredito que a comunidade internacional tem as ferramentas para ajudar a conter o que está acontecendo", disse Fares.

O Exército israelense indicou em dezembro que abriu uma investigação sobre a morte em detenção de vários palestinos presos em Gaza e confinados na base de Sde Teiman, em Israel.

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© Agence France-Presse

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