Deputados aliados ao regime venezuelano abandonam parlamento

Os deputados aliados ao governo venezuelano abandonaram hoje o parlamento, alegando que o novo presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, da oposição, violou o regulamento interno ao conceder a palavra a deputados da oposição, após a proclamação.

"Se é muito importante dar o direito à palavra a alguns dos deputados da oposição, que se convoque uma sessão extraordinária, mas eles insistem em violar as leis", disse aos jornalistas o deputado socialista Diosdado Cabello, que até hoje presidiu o parlamento venezuelano.

Segundo Cabello, o regulamento do parlamento venezuelano estabelece que "na primeira sessão (do novo parlamento) apenas se procede à instalação da Assembleia Nacional".

"Hoje, quando os deputados juraram defender a Constituição e as leis, eles preferiram a violação do regulamento. Não respeitam a Constituição", disse . Ele afirmou que a oposição tem promovido atos de violência no país e esteve envolvida nos acontecimentos de abril de 2002, quando o falecido Hugo Chávez foi afastado temporariamente do poder.

A retirada dos deputados socialistas ocorreu depois de parlamentares da oposição insistirem que deve ser criada uma lei de anistia para os presos políticos na Venezuela.

"É ilógico que os assassinos perdoem a si mesmos", afirmou Diosdado Cabello.

Após a retirada dos deputados socialistas, o canal estatal Venezuelana de Televisão (VTV) deixou de transmitir o interior do parlamento, passando a divulgar imagens de manifestantes afetos ao regime "chavista", no centro de Caracas, em apoio aos deputados da revolução bolivariana.

Durante a sessão de instalação do novo parlamento, os deputados socialistas condenaram a presença do ex-presidente da Colômbia, Andrés Pastrana.

"Faltou ver aqui o embaixador gringo (norte-americano)", disse o deputado socialista Saúl Ortega.

A aliança opositora Mesa de Unidade Democrática obteve, nas eleições de 6 de dezembro último, a primeira vitória em 16 anos, conseguindo 112 dos 167 lugares que compõem o parlamento, uma maioria de dois terços que lhe confere amplos poderes e marca uma viragem história contra o regime "chavista", iniciado por Hugo Chavez, falecido em 2013, e que é agora protagonizado pelo Presidente Nicolás Maduro.

Na última quinta-feira, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela declarou como improcedentes seis dos sete pedidos de impugnação contra dez deputados eleitos no recentge pleito parlamentar, deixando sem efeito a proclamação de três parlamentares da oposição e um do governo.

Por esse motivo, apenas 109 deputados da oposição e 54 do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) foram hoje proclamados para tomarem posse.

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