Falta de diálogo pode resultar em tragédia nas manifestações, diz advogado

Uma tragédia poderá ocorrer nos protestos de rua de São Paulo em decorrência da escalada de violência e da falta de diálogo da gestão estadual e municipal com os manifestantes que reivindicam a revogação do aumento da tarifa do transporte coletivo público paulista. A avaliação é do advogado, Ariel de Castro Alves, coordenador estadual do Movimento Nacional de Direitos Humanos.

"O temor é que a situação de violência acabe tendo uma escalada, e logo podemos ter óbitos nessas manifestações, que inclusive envolvem muitos adolescentes. Nós podemos ter uma tragédia, diante desse clima de animosidade entre a polícia, os manifestantes e a falta de diálogo por parte do governo do estado e por parte do governo municipal", disse.

Segundo Alves, a prefeitura e o governo do estado deveriam abrir negociação com os manifestantes para evitar uma ascensão da violência nas ruas. "Tanto o governo do estado como o municipal deveriam chamar os movimentos para dialogarem sobre a questão do aumento da passagem, que é a pauta principal. Para tentar quebrar essa animosidade. É necessário ter responsabilidade por parte dos gestores públicos até porque nós podemos ter uma tragédia por essa falta de diálogo, e por escalada de violência nas manifestações".

Na manifestação de ontem, do Movimento Passe Livre (MPL), depois de parte dos manifestantes tentar driblar o forte policiamento, para seguir em direção ao Largo da Batata, direção contrária ao definido pela Polícia Militar, os policiais começaram a disparar bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral, e a bater com cassetetes nos manifestantes.

A polícia passou a disparar também contra a multidão que permanecia na Praça do Ciclista, o que gerou correria. Os ativistas ficaram encurralados, tendo, de um lado, policiais da tropa de choque disparando bombas e, de outro, um cordão de policiais que impedia a saída dos manifestantes da praça. A polícia chegou a atirar uma bomba em uma sacada de um apartamento na avenida Paulista.

De acordo com o Movimento Passe Livre (MPL), pelo menos 20 manifestantes foram feridos por estilhaços de bombas e balas de borracha atirados pela polícia e precisaram ser encaminhados a hospitais da região. Um deles é o estudante de arquitetura Gustavo Camargo, que teve fratura exposta no polegar direito.

Segundo a mãe do jovem, Ana Amélia Camargo, o rapaz, de 19 anos, foi atingido por uma bomba lançada pela polícia e passou ontem por uma operação. "A cirurgia foi para limpar. A preocupação inicial era de não infeccionar. Amanhã, os médicos vão ver como reconstituir o dedo", disse Ana Amélia.

O secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Alexandre de Moraes, negou que tenha havido abuso na ação da polícia. Em entrevista coletiva, na noite de ontem, diante do relato dos repórteres de que jornalistas foram agredidos por policiais, mesmo estando identificados, e de que manifestantes já dominados foram espancados pelo policiamento, Moraes disse que todos os abusos serão apurados. "Podem ficar tranquilos, temos toda a ação filmada", disse.

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