Especialisras fazem a diferença nos barracões de escolas de samba do Rio

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Amilcar Augusto Carvalheira de Souza, o Rivelino, tem 61 anos de idade e 36 anos de trabalho no barracão da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, onde é construído o carnaval, desde as alegorias até os menores detalhes das fantasias. Ele entrou como ajudante, foi se aprimorando e, mais que isso, se tornou empregado da escola de samba. O salário garante a renda nos meses em que os enredos ainda não começaram a ser elaborados.

"Eu sou contratado da escola com carteira assinada. Tenho livre e espontânea vontade de fazer qualquer coisa fora daqui e do carnaval, mas eu respeito não só o patrão Luizinho Drummond [presidente da escola] como a firma também. Eu visto a camisa da escola", disse.

Durante o tempo se especializou. É o chapeleiro da escola e coordena o trabalho de uma equipe que funciona no quarto andar do prédio instalado na Cidade do Samba, na região portuária do Rio. "Já fui considerado o melhor plumista do Brasil, com arranjos de pena de pavão. Não tinha melhor do que eu, mas aí você vai ensinando, ensinado, as pessoas vão se aperfeiçoando e hoje em dia não faço questão de ser melhor do que ninguém. Quero que tenha espaço pra todo mundo", disse.

No currículo, Rivelino já trabalhou com uma série de carnavalescos renomados como Rosa Magalhães, Joãosinho Trinta, Arlindo Rodrigues, Viriato, Max Lopes e atualmente trabalha com Cahê Rodrigues. "Não tenho preferência de carnavalescos. Tenho que aceitar o que vem aqui para a escola. Não tenho do que reclamar de nenhum deles e eles também não têm do que reclamar de mim, porque se não já tinham me mandado embora".

Os anos de experiência contam ao identificar alguma coisa que pode dar errado na peça que vai confeccionar. Rivelino tem espaço para mostrar ao carnavalesco, por exemplo, que se o chapéu tiver o peso concentrado no alto vai atrapalhar o componente durante o desfile e pode prejudicar a harmonia da escola. "Eu tenho espaço porque sou profissional da área", completou, informando que no ateliê do barracão serão produzidos, este ano, mais de 3 mil chapéus para as alas da comunidade, que têm fantasias pagas pela escola.

O enredo de 2016, homenagem à dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano, empolgou o profissional experiente. "É uma novidade, em 36 anos de Imperatriz, pelo que me lembro, nunca teve um enredo de dupla sertaneja. Para mim vai ser legal e emocionante na avenida. Sou fã dos dois. Adoro a música deles", disse.

Experiência também não falta à aposentada Edir Ramos Cardoso, que há 28 anos é costureira e trabalha de setembro até o mês do carnaval no ateliê de fantasias da escola. Ela já foi baiana da Imperatriz e hoje acompanha o desfile de casa. No trabalho, tem uma especialidade, fazer os franzidos nos babados das saias das baianas. "Só eu que faço os franzidos das saias de todas as baianas. É uma especialidade minha", disse, acrescentando que é uma satisfação confeccionar parte da fantasia das componentes da ala que já foi integrante.

No ateliê do barracão da Unidos de Vila Isabel, Suely Fernandes produz adereços das fantasias. Ela nasceu e ainda mora no bairro conhecido como terra do samba, por causa da sua ligação com o compositor Noel Rosa. Suely disse que a Vila é a escola do coração e por isso fica emocionada em ajudar a construir o carnaval que a agremiação vai levar para a avenida. "Arrepia. A gente vê os trabalhos sendo feitos, quando está terminando e chegando a hora do desfile. Dá para ter uma reflexão do que vai ser a escola. Particularmente estou feliz com a minha Vila. As fantasias estão lindas", disse.

Na avenida, Suely tem um lugar especial. Ela desfila na Velha Guarda da Vila Isabel. "Meu avô é fundador da Vila Isabel, o China é meu avô, e estou na Vila desde que nasci. Depois de passar por todos os segmentos da escola, entrei para a Velha Guarda e estou me sentindo muito bem. É muita responsabilidade e tem que respeitar. Ainda mais a da Vila, terra do samba. Tentamos passar isso para as pessoas que chegam agora. O respeito e a união", disse.

Para a integrante da Velha Guarda, não adianta dizer que há escolas favoritas para conquistar o campeonato porque "muita água rola até o dia do desfile", mas está confiante em um bom resultado neste ano. "Melhor, só depois que passa, e enquanto a gente não passar não tem campeã. Nós vamos sair para ganhar", concluiu.

Valdo Rocha é destaque no alto de carros alegóricos da Estácio de Sá e costumava confeccionar a própria fantasia, enquanto era responsável por adereços no ateliê de fantasias da escola. Este ano, a responsabilidade aumentou, ao passar a integrar a comissão de criação, que auxilia os carnavalescos no desenvolvimento dos enredos.

"Para mim foi muito legal ver os desenhos, eu desenho também, ver sair do protótipo, a peça piloto, e hoje em dia ver os carros com uma proporção faraônica e as fantasias bem elaboradas. Isso é muito gratificante para a gente que participou. O componente quando se deparar com isso vai ser tomado por uma emoção muito forte", observou.

Emocionado, adiantou que quando estiver na área de concentração da passarela do samba vai querer verificar se está tudo certo, passar por todos os setores da escola antes de vestir a fantasia e ser conduzido ao alto da alegoria em que vai desfilar. "A alegoria que eu saio será a quinta e vai ser possível ter uma visão até da frente da escola", observou.

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