Câmbio desvalorizado abre espaço para recuperação do setor têxtil

A desvalorização do real abriu espaço para a recuperação do setor têxtil. A previsão da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) é que as vendas para o exterior cresçam 1,5%, chegando a US$ 1,1 bilhão neste ano, em contraste com a queda de 8,2% registrada em 2015. Mesmo se confirmada a perspectiva de alta, o valor será inferior ao US$ 1,18 bilhão alcançado em 2014. Naquele ano, as exportações do setor caíram 6,7%.

O câmbio deve ainda, segundo as previsões dos empresários, aumentar a procura pelos produtos nacionais em substituição aos artigos importados. A estimativa é de que as importações tenham uma retração de 22,4% em 2016, e a produção têxtil cresça 9%. O faturamento deve chegar a R$ 127 bilhões, ante R$ 121 bilhões em 2015. No ramo do vestuário, a expectativa é de queda de 1,8% na produção deste ano, em um segmento que enfrentou retração de 10% em 2015.

Apesar na melhora do cenário para o setor, o presidente da Abit, Rafael Cervone, avalia que as dificuldades ainda são grandes, inclusive pela queda do consumo no mercado interno. "Vamos ter um primeiro trimestre muito difícil. Isso deve começar a se inverter no segundo semestre", ressaltou. Cervone destacou que a indústria têxtil tem uma ociosidade significativa, usando apenas 78% da capacidade instalada.

Além disso, Cervone diz que as turbulências políticas dificultam o ambiente de negócios. "Essa crise é mais política do que econômica", enfatiza. Para ele, somente a desvalorização da moeda não é suficiente para alavancar as vendas para o exterior de forma sustentável, é preciso um trabalho de contínuo tendo em vista o longo prazo. "Exportação não pode ser uma agenda pontual por causa do câmbio", acrescenta.

O vice-presidente da 2 Rios, Matheus Fagundes, concorda com a avaliação. O fabricante de lingeries, que atua em 20 países, prevê vendas 30% maiores neste ano. Porém, o executivo ressalva que só vai aproveitar o câmbio favorável quem havia investido na estrutura de exportação. Fagundes diz que o trabalho para entrar em um novo mercado pode variar de 2 a 5 anos. "É uma ilusão, porque a gente não sabe até onde esse câmbio vai durar", pondera sobre as possibilidades de ganho.

Na opinião de Fagundes, é necessário aumentar a competitividade da indústria nacional. "Quando o dólar vai lá no alto, ele maquia a nossa falta e competitividade e até, em algumas vezes, de produtividade".

Afastado do mercado externo desde 2008, o fabricante de jeans Fábio Américo diz que tem enfrentado dificuldades para encontrar clientes fora do Brasil. "Existe uma falta de confiança dos clientes no exterior", ressalta. Segundo ele, a volatilidade do cenário econômico brasileiro afasta grandes marcas das empresas nacionais. "As empresas dos Estados Unidos me perguntaram se eu garantia esse mesmo preço para o ano que vem. Me desmontou, não tinha o que dizer", conta.

Mesmo com a retração que atingiu a maior parte do setor, Américo diz que conseguiu expandir as vendas em 7% no ano passado. "Eu ganhei clientes, fiz um trabalho comercial muito bom", justifica. No entanto, para 2016, ele espera um ano pior. "Nós estamos tentando, mas está difícil".

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