Estácio de Sá abre o desfile hoje à noite na Marquês de Sapucaí

Rio de Janeiro - Segundo dia de desfiles das escolas de samba da Série A, antigo Grupo de Acesso, no Sambódromo do Rio de Janeiro. Estácio de Sá(Fernando Frazão/Agência Brasil)

A Estácio de Sá foi a campeã das escolas de samba da Série A, antigo Grupo de Acesso, no ano passado, no Sambódromo do Rio de JaneiroFernando Frazão/ Agência Brasil

A disputa pelo título de campeã entre as escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro começa hoje (7), a partir das 21h30, na Marquês de Sapucaí. Seis escolas vão passar pela avenida no primeiro dia de desfile. A Estácio de Sá vai abrir o espetáculo. A escola foi a campeã da Série A, antigo grupo de acesso, no ano passado e, obteve o direito de subir para o grupo, considerado a elite do carnaval carioca.

A Estácio leva para a avenida o enredo Salve Jorge! O guerreiro na fé!, proposta do carnavalesco Chico Spinosa, depois de uma pesquisa de cinco anos sobre o tema e de muitas viagens internacionais na busca da história de São Jorge. Ele se juntou aos carnavalescos Tarcísio Zanon e Amauri Santos, que conquistaram o campeonato da Estácio em 2015. "Na vida, em tudo, a gente tem que ter fé. Tem que dizer já fui, não vou. Já fui e estou voltando. A tua fé é que remove montanhas", disse o presidente da escola e devoto do santo, Leziário Nascimento. Ele está confiante no bom desfile que sua escola fará na noite de hoje.

Pelo menos uma barreira a escola já venceu. A Igreja Católica não impediu, como aconteceu em outros carnavais, que a imagem de um santo seja exposta durante o desfile, e ainda apoiou o enredo da Estácio. Para o carnavalesco Chico Spinosa, a seriedade com que a escola tratou o projeto foi fundamental.

Rio de Janeiro - Alegoria da União da Ilha do Governador (Cristina Indio do Brasil/Agênia Brasil)

Alegoria da União da Ilha do GovernadorCristina Indio do Brasil/Agênia Brasi

A Escola de Samba União da Ilha do Governador será a segunda a entrar na Passarela do Samba. A agremiação, da zona norte do Rio, levará o enredo Olímpico Por Natureza, Todo mundo se encontra no Rio, dos carnavalescos Paulo Menezes e Jack Vasconcelos. A ideia é abrir o desfile com a chegada da turma de Zeus à cidade, para mostrar o espírito esportivo do carioca e de como ele se prepara para receber as Olimpíadas. No fim, os deuses, já ambientados com o Rio, vão se misturar aos estrangeiros que visitam ou os que se encantam com cidade e ficam por ali mesmo.

A campeã do ano passado, Beija-Flor de Nilópolis, da Baixada Fluminense, vai na sequência, com o enredo Mineirinho Genial! Nova Lima - Cidade Natal. Marquês de Sapucaí - O Poeta Imortal!. É uma homenagem ao Marquês de Sapucaí, político e poeta mineiro, nascido em Congonhas de Sabará, que mais tarde se tornou a cidade de Nova Lima.

Este ano, a Beija-Flor escolheu um enredo não relacionado diretamente a um patrocínio. O diretor de carnaval, Laíla, disse que sua intenção era de que a escola revivesse modelos de carnavais da década de 80, com desenvolvimento de um tema mais nacional.

A solução veio por meio de um ritmista da bateria da escola, nascido em Nova Lima. Ele perguntou ao diretor se conhecia a história do personagem que dá nome ao Sambódromo. A curiosidade levou a uma história interessante que deveria ser mais conhecida, segundo Laíla. "Nós desfilamos na Marquês de Sapucaí há quanto tempo? Jamais poderíamos imaginar a profundidade do que esse homem fez em benefício do povo brasileiro na época do império", analisou.

Rio de Janeiro - Alegoria da Alegoria da Grande Rio (Cristina Indio do Brasil/Agênia Brasil)

Alegoria da Alegoria da Grande Rio Cristina Indio do Brasil/Agênia Brasi

A Grande Rio, que nos últimos carnavais tem ficado nas primeiras colocações, será a quarta escola a se apresentar. O enredo Fui no Itororó beber água, não achei/mas achei a bela Santos, e por ela me apaixonei... foi desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Ricardo.

A história da cidade paulista será contada na avenida, com destaque para o café e para o porto, que provocou uma guinada na economia local e do país. A escola terá dois setores ligados aos esportes, característica forte da cidade, o Santos Futebol Clube, que fez surgir craques como Neymar e Pelé. Embora não esteja previsto que Pelé participe do desfile,, por estar se recuperando de problemas de saúde, o rei do futebol terá uma alegoria própria. Fabinho, como é chamado o carnavalesco, explicou que a figura de Pelé é de muita importância para vir sem destaque. "Ele é o cara", afirmou.

A Mocidade Independente de Padre Miguel será a quinta a desfilar. O enredo O Brasil de La Mancha: Sou Miguel, Padre Miguel. Sou Cervantes, Sou Quixote Cavaleiro, Pixote Brasileiro, desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada e pelo diretor artístico, Edson Pereira, vai mostrar o personagem diante de problemas que o Brasil enfrentou, e que ainda procura superar. Mas ainda vai apontar que o caminho para um país melhor é a educação.

Rio de Janeiro - Alegoria da Mocidade Independente de Padre Miguel (Cristina Indio do Brasil/Agênia Brasil)

Alegoria da Mocidade Independente de Padre Miguel Cristina Indio do Brasil/Agênia Brasi

A verde e branco, da zona oeste, que há dois anos vem procurando voltar ao nível de apresentações memoráveis, como Ziriguidum 2001 - Carnaval nas estrelas (1985) e Criador e Criatura (1996), e a levou a cinco campeonatos, confia que está preparada para mais um título.

O desfile do primeiro dia terminará com a escola Unidos da Tijuca, que este ano vai para a disputa do Grupo Especial com o enredo Semeando sorriso. A Tijuca festeja o solo sagrado, desenvolvido pela comissão composta pelos carnavalescos Mauro Quintaes, Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo. A escola vai levar o campo para a avenida e mostrar a força do setor e dos trabalhadores na lida diária.

O patrocínio esperado de empresas do agronegócio não se concretizou. A saída foi fazer o projeto com recursos próprios, apoio cultural da Prefeitura do Rio, que este ano foi duplicado, chegando a R$ 2 milhões. A escola também recebeu mais R$ 4 milhões passados pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), referentes, entre outros itens, à venda de ingressos para o Sambódromo e de CDs dos sambas-enredos. Houve, ainda, o apoio cultural da Petrobras, no valor de R$ 200 mil. O presidente da escola, Fernando Horta, destacou a participação dele e de empresários amigos. Com isso, a escola arranjou uma forma de amenizar os efeitos da crise econômica que se abateu sobre as agremiações em 2016.

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