Rio: carnaval popular da zona norte atrai famílias em busca de diversão grátis

Enquanto na Marquês de Sapucaí a elite do carnaval atrai os olhares de todo o país, fazendo a alegria de turistas que pagam ingressos caros, a quilômetros de distância, os  foliões também se divertem com o desfile das escolas de samba, sem pagar. É o carnaval das famílias, como fazem questão de dizer os espectadores que ocupam as arquibancadas da Estrada Intendente Magalhães, na zona norte da cidade, por onde passam as escolas dos grupos B, C, D e E.

"Aqui é muito bom porque é um carnaval com família. A gente pode trazer as crianças na maior paz, porque tá difícil de sair com os filhos. A gente trouxe refrigerante e cerveja de casa, e  falta comprar uma batata frita", disse a doceira Patricia Lopes do Nascimento, que veio com a filha pequena e uma sobrinha.

Sem o rígido esquema de segurança da Sapucaí, na Intendente só uma grade baixa separa o público da avenida. Antes e depois da passagem das escolas, o que se vê na pista são crianças brincando fantasiadas, fazendo desenhos no chão com os sprays de espuma vendidos nesta época do ano.

"Este carnaval é um espetáculo. Para a gente que não tem oportunidade de estar lá no Sambódromo, aqui é o melhor lugar para ficar no Rio de Janeiro. A gente deixa as crianças à vontade e elas se divertem, porque aqui não vai acontecer nada", disse Jorge Herculano. Ele trouxe o filho pequeno, que vestido de Homem Aranha brincava na pista com as outras crianças, entre a passagem de uma escola e outra.

Vendedores circulam pela área, sem serem incomodados pelos agentes da prefeitura que na Sapucaí trabalham freneticamente para reprimir o comércio ambulante. O vendedor de balões Fábio Júnior garante uma renda extra durante os quatro dias de defiles. "Está sendo um bom carnaval. Aqui é mais familiar e tem muita criança", disse ele, que durante o ano trabalha na construção civil, mas conta que vende cerca de 600 balões no carnaval, com um lucro de R$ 1.800,00.

No domingo (7) à noite desfilaram 14 escolas do grupo D, com o desfile começando às 20h, pontualmente. A primeira a passar foi a Império da Zona Oeste, seguida pela Chatuba de Mesquita, Unidos da Villa Rica, Mocidade Independente de Inhaúma, Alegria do Vilar, Gato de Bonsucesso, Império da Uva, Flor da Minha do Andaraí, Difícil é o Nome, Unidos de Manguinhos, Matriz de São João, Acadêmicos de Vigário Geral, Unidos de Cosmos e Mocidade de Vicente de Carvalho.

No final do desfile, que dura 40 minutos, o mestre-sala da Império da Zona Oeste, Eduardo Belo, estava exausto. Segundo ele, as condições da pista da Intendente precisam melhorar. "A prefeitura deveria cuidar do desnível da pista. É arriscado até a gente ter uma queda nos buracos e na ondulação do asfalto", disse Eduardo, que aos 48 de idade já passou por várias escolas: "Se Deus deixar, vou até os 80 anos no carnaval".

Na noite de segunda-feira (8), é a vez do grupo C, com Lins Imperial, Boca de Siri, Unidos de Vila Kennedy, Acadêmicos do Dendê, Acadêmicos da Abolição, Vizinha Faladeira, Rosa de Ouro, Arrastão de Cascadura, Sereno de Campo Grande, Unidos de Vila Santa Tereza, Mocidade Unida da Cidade de Deus, Coroado de Jacarepaguá e União de Maricá.

O vice-presidente da Associação Cultural Samba é Nosso, Reinaldo Bandeira, estava confiante na evolução dos desfiles. "Mudou muito o carnaval da Intendente. As escolas investiram, apesar do pouco recurso, e espero que para o próximo ano melhorem ainda mais. Nós temos tudo para crescer, só precisamos de uma estrutura melhor, para dar conforto ao público", disse Bandeira, que é presidente há 25 anos da escola de samba União de Jacarepaguá. A Samba é Nosso foi fundada no ano passado, para gerir o carnaval dos grupos C, D e E.

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