Alunos do Recife usam paródia para alertar sobre mosquito Aedes aegypti

No dia de conscientização contra o mosquito Aedes aegypti em instituições de ensino de todo o país, foram os alunos da escola estadual Professor Fernando Mota, do Recife, que deram uma aula para os gestores presentes. A unidade, localizada em um bairro de classe média, Boa Viagem, foi a escolhida para receber uma comitiva de autoridades que incluiu o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, e o vice-governador de Pernambuco, Raul Henry, como parte das atividades que ocorrem em todo o país.

A mobilização começava já na porta, com estudantes em fila segurando cartazes com informações sobre os meios de reprodução do mosquito e as doenças transmitidas. No auditório, lotado de câmeras e políticos, os alunos do terceiro ano do ensino médio não se intimidaram e apresentaram uma paródia de uma música da cantora Anitta. O protagonista era o próprio Aedes aegypti. "Pra te derrubar tu vai ficar com Zika e vou continuar multiplicando", dizia um trecho. O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, chegou a se juntar aos estudantes por um momento e até imitou a coreografia dos adolescentes.

A cantora, Arlene Ribeiro, 18 anos, contou que conhece como é a prevenção do mosquito. "Os meus pais sempre tiveram muito cuidado. É aquela coisa de pai para filha. Sempre tiveram muito cuidado com a dengue, cuidado para não deixar água parada. A gente tem um quintal grande, e quem tem quintal grande tem que tomar mais cuidado ainda". Principalmente, segundo ela, depois que uma pessoa próxima a seu pai ficou em estado grave por causa da febre chikungunya, uma das doenças transmitidas pelo mosquito.

A paródia surgiu para lembrar as pessoas da presença do mosquito usando uma música que atualmente toca nas rádios. A ideia é romper os limites da sala de aula. "Estamos pensando em fazer um vídeo no Youtube. A internet está aí para viralizar tudo. Vamos compartilhar em todas as redes sociais para obter resultado maior. Não só na escola", planeja Arlene.

Experimentos também entraram nas atividades. Os monitores do laboratório de ciências mostraram como fazer um repelente natural que, segundo um dos alunos, Guilherme Queiroz, 15 anos, do 2º ano do ensino médio, funciona por uma hora. "Como os repelentes não tem preço acessível para toda a população, com o repelente caseiro todos se protegem como podem".

Depois das apresentações e discursos de autoridades, a programação continuou com uma palestra dos militares para os alunos. Neste sexta-feira (19), homens das Forças Armadas atuam em 21 escolas da região metropolitana do Recife. Em todo o estado, mais de mil unidades de ensino e 650 mil estudantes devem receber as orientações.

O ministro do Turismo considera importante levar a campanha para as escolas porque "o jovem quando se motiva é um guerreiro imbatível. E ele não fica satisfeito em vencer sozinho a batalha, ele transmite aos outros. Quando ele chegar em casa vai dizer ao seu pai, sua avó, sua irmã. E vai falar na rua, com o vizinho, quando se encontrar com os amigos".

Gestor de uma pasta que tradicionalmente não está ligada ao combate ao mosquito, Henrique Eduardo Alves argumentou que a estratégia da presidenta Dilma Rousseff, de enviar ministros de todas as áreas para fazer uma atividade diretamente nos estados afetados pelo Aedes aegypti, é acertada. "Não é uma luta só do Ministério da Saúde. A saúde é o foco principal que nos dá toda a orientação, mas cada um pode fazer a sua parte. Por exemplo: temos mais de 4 mil obras espalhadas em todo o Brasil. Estamos remetendo para cada empreiteiro, construtora, toda a orientação para que, em seus canteiros de trabalho, possam fazer essa conscientização com seus trabalhadores", argumenta.

Em dia de visita de autoridades, os trabalhadores da limpeza urbana também foram chamados a fazer o dever de casa. Minutos antes de o ministro chegar ao local, os canteiros da rua que passa atrás da escola eram limpos.

Turismo internacional e Zika

De acordo com o ministro do Turismo, por causa do carnaval, ainda não foi possível mensurar como a epidemia de Zika no Brasil, retratada diariamente pela mídia internacional, afetou a vinda de turistas estrangeiros ao país. "Esse ano o carnaval tomou conta das ruas do Brasil, o povo voltou às ruas. O carnaval pode ter mascarado um pouco. Na volta à normalidade, vamos fazer uma pesquisa para ter essa avaliação", anunciou.

Henrique Eduardo Alves disse esperar ainda que, na Olimpíada do Rio, o mundo possa "encontrar já um país com a saúde pública plenamente organizada" diante do crescimento de infecções causadas pelo Aedes aegypti. Na próxima segunda-feira (22), o ministro informou que a presidenta Dilma Rousseff o convocou para uma reunião às 15h para tratar do megaevento internacional.

Alves, que é do PMDB, ainda respondeu a questionamento sobre a saída por um dia do também peemedebista e ministro da Saúde, Marcelo Castro, a fim de participar da eleição do líder do partido na Câmara, ocasião em que o deputado federal Leonardo Picciani (RJ) foi reeleito. "Foi uma decisão pessoal de um colega ministro que cabe a mim respeitar, mas foi uma coisa tão temporária, menos de 24 horas, já ontem de manhã estive com ele no Ministério da Saúde, uma reunião enorme sobre a questão da Zika, que não creio que tenha causado maiores estragos ou afetado", disse.

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