Riscos referentes à inflação não incluem redução da Selic, diz diretor do BC

O diretor de de Política Econômica do Banco Central (BC), Altamir Lopes, disse hoje (22), que a convergência da inflação para a meta de 4,5% em 2017 não contempla reduções da taxa básica de juros, a Selic. Lopes participou de evento no Brazil Macro and Political Conference, promovido pelo JP Morgan, em São Paulo.

De acordo com Lopes, a expectativa de menor alta do dólar este ano, de "uma sensível diminuição no processo de ajuste de preços administrados", da queda da atividade econômica e do menor crescimento da economia mundial contribuem para um processo desinflacionário em 2016. "Os riscos inerentes ao comportamento recente tanto das expectativas quanto das taxas observadas de inflação e a presença de mecanismos, formais e informais, de indexação na economia brasileira não nos permitem trabalhar com a hipótese de flexibilização das condições monetárias [redução da Selic]", acrescentou Lopes.

Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano, e as instituições financeiras esperam a  redução dos juros básicos em 2017, encerrando o período em 12,63% ao ano, de acordo com a mediana das expectativas (desconsidera os extremos das projeções).

A taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o BC contém o excesso de demanda que pressiona os preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas alivia o controle sobre a inflação.

Para Lopes, o "fraco desempenho da atividade econômica" acrescenta desafios para a condução da política monetária (definição da Selic). O diretor do BC lembrou que a inflação tem sido afetada por dois processos de recomposição de preços relativos: a alta do dólar e o aumento dos preços administrados em relação aos livres. "Sobre os preços administrados, importa considerar, entretanto, que o expressivo ajuste ocorrido em 2015, cuja variação alcançou 18%, deverá levar a significativa redução da inflação desses preços no ano corrente", disse, em discurso publicado na página do BC, na internet.

Lopes disse que a inflação deverá passar a refletir melhor o estado da atividade econômica e das condições monetárias. Ele explicou que o processo de ajuste macroeconômico, intensificado por eventos não econômicos (com as investigações da Operação Lava Jato) e por um contorno externo de moderação no crescimento, contribuirá para uma dinâmica menos pressionada da inflação, ao auxiliar na quebra da resiliência de preços.

Por outro lado, acrescentou Altamir Lopes, as elevações da Selic feitas anteriormente "restringirão a propagação de alta de preços para períodos mais distantes".

Ele informou que o Banco Central espera a queda da inflação em 2 pontos percentuais no primeiro semestre, o que deve levar as projeções do mercado à estabilidade ou até à redução desse indicador.

Sobre o repasse da alta do dólar para os preços ao consumidor, o diretor do BC ressaltou que o feito predomina no curto prazo. Entretanto, no médio prazo, o desinflacionário das condições da economia real tende a prevalecer, acrescentou Lopes. "Adicionalmente, é importante notar que o câmbio passou por expressiva depreciação em 2014 e 2015 - 21% no segundo semestre de 2014 e 47% em 2015, para ser mais preciso -, deixando menor espaço para movimentos significativos de depreciação em 2016."

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