Participantes de blocos denunciam ao MP truculência da Guarda Municipal do Rio

As ações truculentas de agentes da Guarda Municipal do Rio contra foliões que participaram de blocos independentes durante o carnaval levou um grupo de pessoas a denunciar o fato ao Ministério Público. Eles foram recebidos pelo procurador-geral de Justiça do estado, Marfran Vieira, que se comprometeu a investigar as denúncias.

O caso mais grave aconteceu na manhã do dia 13 de fevereiro, sábado de carnaval, quando foliões do bloco Technobloco foram agredidos por guardas municipais com uso de cassetetes e bombas. Os agentes agiram com o objetivo de dispersar o grupo, que brincava na Praça Mauá. Alguns integrantes foram espancados e chegaram a ter fraturas expostas. A prefeitura do Rio afastou 15 guardas que participaram da ação e exonerou do cargo o agente que comandou a operação.

"As agressões relatadas são gravíssimas, há uma evidente desproporção entre o que se pretendeu reprimir e a forma como se desenvolveu a repressão e isso caracteriza ilícitos penais que serão apurados devidamente", disse Marfan.

A investigação será conduzida pelo promotor de Justiça Homero Freitas, da 1ª Central de Inquéritos.  "Vou tomar conhecimento do que existe na 4ª DP [Delegacia de Polícia] e na 5ª DP para ver se têm outros casos como esse e apurar eventuais excessos cometidos pela Guarda Municipal. É muito desproporcional a atitude da Guarda com o que as pessoas estavam fazendo", destacou.

Um dos agredidos, o jornalista Bernardo Tabak, teve vários hematomas no corpo, provocados por golpes de cassetete. "Queremos que isso não se repita nunca. Foi uma truculência desmedida, a troco de nada. A gente apanhou por estar desfilando em um bloco de carnaval. Queremos saber se houve repressão aos blocos não oficiais por conta de uma mercantilização do carnaval autorizado. Queremos entender o que está havendo com a banalização do uso de armas não letais", disse o jornalista, referindo-se ao fato de que os blocos oficiais foram todos patrocinados por uma única marca de cerveja.

Procurada, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), responsável pela Guarda Municipal, não se manifestou sobre a investigação do Ministério Público até a publicação desta matéria.

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