Promotor diz que torcidas organizadas atuam como gangues e trazem "pânico"

O promotor Paulo Castilho disse hoje (3) que as torcidas organizadas atuam como gangues e trazem "pânico" à sociedade. O membro do Ministério Público de São Paulo comentou o ataque aos diretores da Gaviões da Fiel, torcida organizada do Corinthians, ocorrido ontem (2). O presidente e o primeiro-secretário da agremiação foram emboscados e espancados após participarem de um encontro com Castilho e líderes de outras torcidas.

O presidente da Gaviões, Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, teve os dois braços quebrados e o secretário, Cristiano de Morais Souza, teve de passar por uma cirurgia no maxilar. Segundo o advogado da Gaviões, Davi Gebara, os dois estão em casa e passam bem. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso.

"Isso tem causado pânico no seio da sociedade, pânico para quem quer assistir ao jogo. De forma que eles não estão se comportando como torcidas organizadas, mas como verdadeiras gangues", criticou o promotor, que há 12 anos estuda a atuação das torcidas organizadas no Brasil e em outros países. Segundo Castilho, o encontro de ontem foi solicitado pelas agremiações para buscar o abrandamento de medidas tomadas pelo Ministério Público.

O promotor acredita que o ataque ocorrido após os diretores deixarem o Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste paulista, está ligado às disputas envolvendo os grupos de torcedores. "Nós precisamos investigar, mas eu tenho a plena convicção que está relacionado à torcida organizada [a agressão]. Nós precisamos saber se isso pode ter sido de dissidentes dentro das torcidas, ou se, pior e ainda mais grave, veio com a participação de algum dirigente que estava presente na reunião".

A situação atual não é mais sustentável, na opinião de Castilho. "Não tem cabimento de falar em torcida organizada, pessoas que precisam ir escoltadas com aparato militar, porque senão eles se agridem ou são emboscados no meio do caminho. Isso não é torcedor, não tem que ser levado ao estádio de futebol".

Para o promotor, é necessário buscar um novo modelo de torcida. "Esse modelo de torcida organizada faliu, porque eles pouco se importam com o jogo de futebol. É uma atividade lucrativa, onde os líderes têm prestígio e movimentam muito dinheiro", afirmou. Além da desconexão com o esporte, Castilho critica a violência exacerbada dos grupos. "Eles estão movimentando a torcida para o lado do mal. Hoje, 100% da violência no futebol passa pela torcida organizada".

Juri
Na segunda-feira (29), a juíza Flávia Castellar Olivério começou a ouvir as testemunhas de acusação no processo sobre a morte de dois palmeirenses em 2012. Ao todo serão julgados 28 membros das torcidas organizadas Gaviões da Fiel (Corinthians) e Mancha Alviverde (Palmeiras) acusados de participar do confronto ocorrido na Avenida Inajar de Souza, zona norte paulistana.

Entre os réus está o presidente da Gaviões, Rodrigo Fonseca, conhecido como Diguinho, agredido ontem. Neste processo ele responde, junto com os outros corintianos, pelos crimes de homicídio qualificado e formação de quadrilha. Os palmeirenses respondem por formação de quadrilha.

Fonseca também é réu pelo assassinato de um palmeirense em uma briga de torcidas em 2005, na Estação Tatuapé do metrô, na zona leste capital. O caso deveria ter ido a juri no ano passado, mas o julgamento acabou adiado por um recurso da defesa.

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