Mulheres do MST bloqueiam ferrovia no Maranhão

Um grupo de aproximadamente 150 mulheres ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Maranhão, bloqueou, durante toda a manhã de hoje (7), um trecho da Ferrovia Carajás, no quilômetro 184, próximo ao município de Igarapé do Meio (MA). De acordo com MST, o ato faz parte das manifestações da Jornada das Mulheres, realizada sempre no mês de março.

A manifestação, segundo a Zaira Sabry, do MST do Maranhão, também foi usada para criticar a forma como está sendo conduzido o processo de duplicação da ferrovia. Segundo agricultora, a obra terá impacto em 21 cidades e "inúmeros" assentamentos e comunidades quilombolas, extrativistas e ribeirinhas serão afetadas.

"Hoje, o Maranhão está desenhado em grandes projetos econômico de bambu, soja, eucalipto, extração de ouro, gás. Todos esses são projetos desrespeitam o modo de vida das comunidades. Todos demandam grandes extensões de terra e, pouca mão de obra. Várias famílias que vivem do campo e da agricultura estão sendo prejudicadas", disse Zaira Sabry, à Agência Brasil.

Sabry ressaltou que a jornada tem como pautas a reforma agrária, aumento do volume de crédito para os pequenos agricultores e o repúdio ao modelo econômico baseado no agronegócio.

Em nota, a Vale disse repudiar qualquer ato de invasão da ferrovia e informa que já adotou as medidas judiciais cabíveis. Informou ainda que as operações na estrada de ferro foram normalizadas após o desbloqueio. A manifestação, no entanto, segundo a mineradora, impediu a saída do trem de passageiros da Estação de São Luís, com destino à Parauapebas (PA), prejudicando cerca de três mil pessoas que utilizam o serviço.

A empresa informou que os passageiros que já haviam comprado bilhetes podem ir às estações e pontos de vendas para realizar remarcação à partir de quarta-feira (9), ou solicitar reembolso a partir de sexta-feira (11).

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