Alunos e professores no estado do Rio protestam por investimentos na educação

Uma série de protestos foi organizada, nos últimos dias, por alunos da rede pública do Rio de Janeiro em frente a escolas ou no centro da capital. Em apoio à greve dos servidores da educação - contra o parcelamento e o atraso nos salários - alunos levantam faixas, colocam nariz de palhaço, organizam discussões nas escolas e participam de aulas públicas.

Ontem (10), de maneira irreverente, no centro do Rio, vestidos de preto, os estudantes da Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Penna apresentaram esquetes, com caixões, sobre a crise no Rio, contra a precariedade dos serviços públicos e a falta de investimentos que se arrastam há anos. Eles estão sem refeitório e sem vale-transporte para frequentar aulas.

"Quer ler livro, acha que merece? Quer ir ao cinema, acha que merece? Quer ir ao teatro, acha que merece? O governador deu a cultura para a OS [organização social]", diz um trecho da paródia com a música Baile de Favela, pedindo que o governo estadual "bote grana na escola" e criticando investimentos feitos por intermédio de organizações privadas.

Em uma caminhada transmitida ao vivo na internet, em Bonsucesso, na zona norte do Rio, professores e estudantes do Colégio Estadual Jornalista Tim Lopes também cobraram mais investimentos na educação do estado, que sofre uma crise, com queda na arrecadação. Eles pediram a saída do governador Luiz Fernando Pezão e da presidenta Dilma Rousseff.

Em Niterói, município da região metropolitana, o grêmio da Escola Técnica Henrique Lage organizou atividade aberta sobre o papel das greves na sociedade e frequentou aulas públicas na Praça XV, no centro do Rio. Os professores deram apoio e ainda levaram os estudantes para conhecer prédios públicos importantes, com explicações de um professor de história.

Desde o último dia 2, quando os servidores entraram em greve, protestos são feitos em municípios como Teresópolis, na região serrana, Duque de Caxias e Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Cabo Frio, na Região dos Lagos, além de São Fidélis e Campos, no norte fluminense.

Para o Sindicato Estadual dos Profissionais em Educação no Rio de Janeiro, que tem acompanhado as manifestações, é importante o apoio à greve na rede de ensino - que chega a 70% da categoria. "Com certeza, imediatamente, alunos são os grandes prejudicados. Eles têm que ter algum protagonismo", disse uma das diretoras da entidade, Maria Beatriz Lugão.

A Secretaria de Educação, por outro lado, não concorda. Acredita que os grevistas estão colocando os estudantes em risco, ao "incitá-los a ir para as ruas reclamar dos problemas de infraestrutura". Alegando proteger os estudantes, a pasta informou, em nota, que vai comunicar oficialmente ao Ministério Público e ao Conselho Tutelar que "alunos menores de idade estão não somente perdendo aulas, mas indo para as ruas e sendo expostos a perigos físicos".

A secretaria diz que não há atraso no pagamento de salários e que o governo do estado alterou a data de pagamento de todos os servidores. Os profissionais, no entanto, alegam que com o adiamento, fica difícil pagar sem juros as contas que vencem nos primeiros dias do mês.

Nos cálculos da secretaria, apenas 3% dos servidores da educação aderiram à greve.

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