Servidores do Rio protestam contra governo do estado por atraso de salários

Servidores do estado do Rio fizeram manifestação hoje (16) contra atraso de salários e condições precárias de trabalho, provocados pela crise financeira do governo estadual. Eles se concentraram às 14h, no Largo do Machado, zona sul do Rio. Apesar da chuva forte, que caiu na cidade no início da tarde, o grupo começou uma caminhada às 15h30 até o Palácio Guanabara, em Laranjeiras, também na zona sul e fez uma concentração em frente à sede do governo estadual.

Em nota, o governo do estado informou que considera legítimas as manifestações dos servidores e que os esforços feitos pela administração privilegiam o pagamento dos salários do funcionalismo, além dos serviços prioritários à população.

O governo do Rio revelou ainda que, diante da maior crise financeira enfrentada pelo estado nas últimas seis décadas foi preciso estabelecer um novo calendário de pagamento de servidores e pensionistas, que passou a ser feito até o décimo dia útil do mês, o que "se dá única e exclusivamente por extrema necessidade de adequação à drástica queda na arrecadação de receitas", indicou.

Com relação ao pagamento do 13° salário, o estado informou que foram pagos 80% do total e que "os valores estão sendo corrigidos, mensalmente, em 1,93%, percentual acima da inflação, como forma de compensar o funcionalismo", disse a nota, esclarecendo que a penúltima parcela será paga amanhã (17).

De acordo com o governo do estado, representantes dos servidores foram recebidos hoje pelo secretário de Governo, Affonso Monnerat, mas qualquer reajuste depende do aumento da arrecadação estadual, especialmente, em 2016, quando há um deficit previsto de cerca de R$ 19 bilhões, a maior parte (R$ 12 bilhões) correspondente à previdência dos servidores. O governo acrescentou que categorias como a dos professores da rede estadual e da Uerj, servidores da saúde, policiais civis e militares e bombeiros tiveram melhorias salariais.

Os manifestantes, que levaram faixas com frases contra o governador Luiz Fernando Pezão e com reivindicações, foram acompanhados por policiais militares durante o trajeto. O ato provocou a interdição no trânsito em ruas de Laranjeiras e do Centro, com reflexos em outros bairros próximos.

A professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Maria Teresa Tavares, destacou as condições de precarização em alguns serviços, que para ela, impedem a continuação do trabalho dos servidores na instituição. "Nossos terceirizados da limpeza, da manutenção e da vigilância estão sem pagamento desde novembro de 2015. Então, estamos sem recolhimento de lixo e sem limpeza desde o ano passado. Acho que a crise envolve questões de falta de planejamento e de gestão do dinheiro", afirmou.

A técnica de enfermagem do Hospital Estadual Getúlio Vargas, Madalena de Almeida Pereira, disse que a manifestação se referia também a redução de direitos dos servidores estaduais: "Estamos aqui em busca de uma solução melhor para a nossa situação de trabalho, condições melhores, até porque a saúde está privatizada. Estão tirando os nossos direitos como servidores". Para o coordenador do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), Lucas Hipólito, "a pressão sobre as verbas cai sempre sobre os servidores e os aposentados".

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