Superávit de US$ 8,4 bi na balança comercial é o terceiro melhor da história

O saldo da balança comercial brasileira no primeiro trimestre de 2016 está positivo em US$ 8,4 bilhões. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior informou que o resultado é o terceiro melhor da história, atrás apenas dos registrados para o primeiro semestre de 2006 e 2007. A balança também teve saldo positivo de R$ 4,435 bilhões em março, o melhor para o mês desde 1989.

Plantação de soja

Um dos destaques, a soja registrou aumento de 49,8% na quantidade exportadaArquivo/Valter Campanato/Agência Brasil

O diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação do ministério, Herlon Brandão, esclareceu que o superávit é decorrente da queda das importações em ritmo mais acelerado que as exportações, fenômeno verificado desde o ano passado. Para 2016, o governo mantém a estimativa de superávit de US$ 35 bilhões.

"O superávit de março, que é histórico, se dá por conta de uma queda da importação superior à da exportação. A queda da importação está mais associada à [queda na] atividade econômico e câmbio [pois o dólar em alta encarece as importações]. No caso das exportações há uma redução de preços, devido ao desaquecimento da economia mundial e também maior oferta. Mas, por outro lado, continuamos com crescimento do volume exportado e isso é bem significativo", afirmou Brandão.

Segundo ele, entre os destaques na pauta de exportações está a soja, que registrou aumento de 49,8% na quantidade embarcada e de 32,2% no valor exportado em março, ante o mesmo mês de 2015.

"A soja deve ter um aumento de quantidade [em relação ao ano passado], mas também está entrando [sendo embarcada] mais cedo", informou Brandão. Ele citou a previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), segundo a qual o volume de soja exportado deve ficar em 56 milhões de toneladas este ano, ante 54 milhões de toneladas na safra passada. O produto está mantendo um bom desempenho na balança comercial, apesar da redução de preços, que foi de 11,7% na comparação entre março de 2016 e igual período do ano passado.

Ainda nos produtos básicos, o país registrou aumento nas quantidades vendidas de petróleo bruto, carne de frango in natura e carne bovina. As exportações brasileiras de petróleo cresceram 12,6% em volume e caíram 40% em valor devido à queda de preço.

Tanto a alta na quantidade exportada quanto o fenômeno de redução de preços da commodity estão contribuindo para melhorar o perfil da conta-petróleo. No mês passado, a conta ficou deficitária US$ 470 milhões, ante um déficit maior, de US$ 788 milhões em 2015.

"O principal [fator influenciando a conta-petróleo] é a queda no preço, que faz com que o produto fique mais barato e diminua o valor da importação. Também há uma redução no volume importado, por causa da queda no consumo interno. Essa diminuição no consumo se dá tanto pela menor atividade econômica quanto pelo aumento da mistura do etanol na gasolina e do biodiesel no diesel. Por fim, há um crescimento da produção brasileira [de petróleo] que favorece as exportações", acrescentou Herlon Brandão.

carros

As exportações de automóveis mantiveram em março o destaque verificado desde o início do anoArquivo/Marcelo Camargo / Arquivo Agência Brasil

No grupo dos manufaturados, as exportações de automóveis mantiveram em março o destaque verificado desde o início deste ano. O setor é ajudado pela renovação de acordos automotivos com Argentina, México e Colômbia.

De acordo com dados do ministério, as vendas de veículos tiveram aumento de 17% no número de unidades e de 15,3% em valor, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Segundo Herlon Brandão, os principais destinos foram Argentina, Chile, Colômbia e México e os destaques são os automóveis de passeio.

Com relação aos destinos, o Brasil aumentou em março exportações para a China (12,3%), Oriente Médio (12%) e Canadá (8,8%), na comparação com o mesmo mês de 2015.  Do lado das importações, a crise econômica provocou queda das compras feitas pelo Brasil junto à maior parte de seus parceiros comerciais.

As exceções foram Canadá, de quem o Brasil comprou  41,7% a mais do que em março de 2015, e Oriente Médio, com alta de 10,5%. Conforme Herlon Brandão, o país importa principalmente fertilizantes desses dois locais.

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